quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 

 Meu pai, talvez com a sabedoria passada via oral pelo lado dele da família para mim, me deu algumas orientações, uma vez, de como lidar com os sonhos que temos ao dormir. Dentre as várias orientações, ele disse que seria interessante eu ter uma caderneta, sempre, ao lado da cama, para anotar os sonhos. Me orientou, também, a como proceder com sonhos ruins e como fazer para tentar lembrar dos sonhos, antes que eles escapassem da memória.

 Em um período da minha vida, tive um colega de trabalho interessante. Eu gostava de ouvir suas conversas e ele sempre foi muito educado comigo, ao menos na minha frente. Gostava dele e gostaria de ter tido mais conversas, porém a vida aconteceu e eu escolhi sair da empresa por algumas razões, entre elas, um emprego novo na minha área de formação.

 Uma noite, eu tive uma sensação estranha, porém que eu conhecia bem. Uma pessoa de uma das igrejas que frequentei na infância, dizia que eu tinha alguns dons divinos, como o dom da profecia... anos depois, uma colega disse que eu tenho um grau elevado de mediunidade. Uma vez, em um terreiro de umbanda, disseram que eu tenho muito poder com as mãos e precisava usá-las mais. Não sei dizer se são dons ou apenas traços do transtorno com o qual fui diagnosticada mas que, de um tempo pra cá, tenho questionado se realmente possuo. Sei que tem uma explicação científica para isso, mas eu ainda não tive interesse em saber mais sobre. A tal sensação à qual me referi, ocorre em momentos específicos, como que um prenúncio de algo, de algumas situações que irão acontecer. Na mesma noite em que tive a sensação, sonhei com aquele colega. E, no dia seguinte, minha amiga comentou que ele havia falecido. Fiquei triste e, ao mesmo tempo, assustada. Não foi a primeira vez que aconteceu e nem foi a última.

 Sonhei com aquele colega mais uma vez, alguns meses depois, e esqueci. Anos mais tarde, mais especificamente no ano em que escrevo esse texto, sonhei com ele novamente: um motoboy me chamava e dizia que tinha uma encomenda para mim, daquele colega. Eu acordei subitamente. No dia seguinte, me arrepiei ao, no caminho da escola do meu filho, escutar um homem chamando por outro...o nome que ele disse era o mesmo apelido que o meu colega utilizava.

 A alguns dias, sonhei novamente. O mesmo motoboy do sonho anterior me perguntava se eu já havia pego a encomenda que o meu colega mandou...ao fundo, estava tocando uma música do The Doors. Porém, nesse sonho, eu não acordei após a pergunta...fui "levada" para outro momento no sonho, dessa vez, na companhia da minha amiga de infância e de outra amiga que, na verdade, é como uma segunda mãe para mim. No sonho, em certo momento, a minha segunda mãe se afastava e esperava por mim em outro ambiente... Eu acordei com medo e lágrimas nos olhos... segui uma das orientações que recebi, de como proceder quando tenho um sonho que não quero que se torne realidade, que não quero que aconteça aqui, no "mundo real" e, também por isso, somente agora conto sobre ele.

 A minha amiga está doente...e eu estou com medo. Todos os dias, em minhas orações, peço que ela melhore. A vida já me levou uma mãe...por favor, que eu não perca a minha segunda mãe... não agora...




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