Hoje, 15 de outubro é dia dos professores e eu não tive felicitações de alunos, como a alguns anos atrás. Alguns colegas sabem que sou professora, mas também nunca se deram ao trabalho de me felicitar enquanto eu estava em atividade, quem dirá agora, a quase 3 anos longe da profissão. Eu, realmente, nunca liguei para presentes físicos, mas eu sempre valorizei que datas importantes fossem lembradas.
Ontem, numa conversa com meu filho, ele me perguntou do que eu gostaria de trabalhar. Eu respondi que gostaria muito de voltar a lecionar, mas não tenho mais gosto pelo ambiente escolar e suas peculiaridades. Eu, como uma professora fora do comum, sempre valorizei o aprender a sentir. Em minhas aulas, desde o berçário, havia momentos e brincadeiras de escuta ativa e interpretações. Porém, em um mundo onde o sentir é visto como fraqueza, profissionais como eu são desmerecidos em ambientes onde se prioriza o fazer e o ser...como se, para ser e saber, não fosse antes necessário, sentir...
Rubem Alves, uma vez, pensou: “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais” . Eu leio essa frase e reflito que, em certo grau, somos todos professores de algo ou de alguém na vida. Em muitas conversas com o meu filho, quando ele pensa sobre as avós e seu gatinho, que agora "são estrelinhas", ele cita que não quer que eu morra nunca. Eu digo à ele que quando tocamos profundamente alguém, apenas uma parte de nós morre... a outra continua viva em todos os que foram iluminados com a nossa presença e, assim, não será diferente comigo. Viverei para sempre nele.
Hoje, no dia dos professores, um professor que minha mãe amou muito e que viveu nela, partiu. Seu pai. Meu avô. Eu estava fazendo planos para, em dezembro, conhecê-lo e levar meu filho para conhecer seu bisavô. Não deu tempo. Ele terminou a vida sem memória, somente com lapsos do que, um dia, viveu. Mas eu lembro que, uma vez, minha tia mostrou uma foto minha para ele e ele abriu os olhos dizendo "Meirinha!" . Meirinha é como a família de minha mãe a chamava...
Diferentemente da minha avó, sei que meu avô me abraçaria... mesmo que pensando eu ser outra pessoa... aquela a quem ele ensinou e que o ensinou também... aquela que, nele, viveu...

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