quarta-feira, 23 de setembro de 2026

  Na adolescência, um dos vários sonhos que eu nutria e tentava alcançar era o de me comunicar em vários idiomas. Nas minhas "listas de objetivos", sempre havia a parte de "ser poliglota até os 30 anos". Em pouco tempo farei 40 e ainda não alcancei essa meta.

 A arte de se comunicar me fascina. Antes de existirem os aplicativos tradutores, eu lia livros em diversos idiomas. Não é difícil ler algo em um idioma que não é o seu nativo. Uma vez entendido como funciona a junção e pronúncia das palavras, você pode ler o que quiser. Compreender o que você está lendo que é outra história, outra questão, a chave. Chave essa, que eu não tinha. 

 Houve uma época em que a faculdade de educação da USP oferecia, semestralmente, minicursos de idiomas, até então, pouco procurados. Uma colega fez o minicurso de grego e, hoje, é uma professora de renome desse idioma. Eu sempre quis fazer o curso de latim, mas as vagas eram preenchidas antes de chegar na minha vez. Uma vez, então, me matriculei para estudar francês. Foi uma fase legal! Eu fiz uma colega no curso, cuja mãe também estudava lá, porém no curso de espanhol. Elas moravam na mesma região da cidade que eu, porém num bairro chamado Guilhermina Esperança e, nos dias de curso, me davam carona. A mãe dela tinha um Santana verde que sempre quebrava na volta do curso, na avenida Rebouças. Lembro que eu admirava aquela mulher, que brigava com os homens que a viam consertando seu carro, pois achavam absurda a cena de uma mulher não precisar de ajuda com seu veículo.

 Ontem, eu lembrei de uma frase que, na época, li em francês e me identifiquei. Lembro - me, de a ter colocado como "subtítulo" no meu perfil do Orkut, na época. Época em que o Orkut só permitia publicar 12 fotos... Hoje, não me lembro mais como essa frase é em francês. Ao lembrar dessa frase, percebi que a minha essência sempre esteve ali, presente. 

 "Eu não sei, mas eu sinto. Eu não sou, eu estou."




domingo, 20 de setembro de 2026

 Anteontem, após um acontecimento do dia, me veio um pensamento de que eu parecia estar na idade medieval e só me faltavam as histórias de dragões.

 Eu fui uma criança fora da curva. Enquanto as menininhas da minha idade brincavam de casinha e com suas bonecas, eu me imaginava lutando como num filme do Bruce Lee. Com as poucas bonecas que eu tive, brincava de lutinha, ao invés de casinha. Anos depois, enquanto as outras meninas estavam roubando as maquiagens de suas mães, eu estava brincando de carrinho de rolimã.

 Enquanto elas eram fascinadas por unicórnios, meus olhos brilhavam com filmes de dragões. Anos mais tarde desenvolvi um fascínio por dragões de komodo, depois de ver um documentário da TV Cultura sobre "seres mágicos da vida real". 

 Os filmes de dragões que assisti na minha infância tinham como enredo a famigerada jornada do herói. Sempre, em certo momento da obra, o herói encontra sua sombra, o dragão, e deve escolher lutar com ele ou contra ele. Criador e criatura. Luz e sombra lutando, ou não, pela mesma causa. 

 Me veio uma vontade súbita...acho que está na hora de me render aos "Contos de gelo e fogo".



quinta-feira, 17 de setembro de 2026

"Ande como se você estivesse beijando a terra com os pés."   Thich Nhat Hanh 


 Eu desejo que os meus últimos passos, dos meus últimos dias nessa terra, sejam doces.. assim como foram a maioria das histórias da minha vida.




domingo, 13 de setembro de 2026

 "O brilho das estrelas que você vê no céu pertencem ao passado, e só agora chegam à sua retina."

 Acho que essa é uma das várias suposições acerca do universo que, na realidade, não são bem assim como são faladas. A estrela que brilha, não necessariamente está morta. É como se fosse o gato de Schrödinger do universo: para descobrir se ela vive ou morre, você terá que ir até ela.

 Em meus anos como professora, ensinei a magia da música para muita gente. Hoje, como se é comum de acontecer, ao me verem despercebida, meus antigos alunos gritam "oi professora!". Outro dia encontrei um ex aluno que me disse que as minhas aulas eram as favoritas dele. Abri um sorriso que continuou estampado no meu rosto durante alguns segundos, tempo que levou para aquele menino, hoje quase um adolescente, sumir no horizonte, onde cruzou a esquina para ir embora.

 Houve uma aluna, certa vez, que chegou na escola sem saber se comunicar em português. Seu país de origem era a Síria. Ela era fluente em inglês, mas eu pouco podia fazer para me comunicar com ela. Acionei alguns "intérpretes" até que nós, finalmente, superamos a barreira imposta como castigo divino aos homens: a barreira do idioma. Contudo, ao passo que o idioma é uma barreira, a arte, para mim, sempre foi ponte. Sem saber escrever na minha língua nativa, aquela menina se esforçava constantemente para aprender a arte de combinar os sons de sua alma. Sempre me doeu não poder dizer adeus à ela, em seu último dia de aula.

 Eu ouvi falar que ela e sua família faleceram, talvez por consequência dos inúmeros conflitos na região em que estavam fazendo morada. Não sei. Creio que nunca saberei. Mas, talvez como uma última mensagem que ficou presa esperando para ser recebida, hoje encontrei uma cartinha que ela, com tanta simplicidade e carinho, me deu. No papel arrancado de sua agenda, ela se esforçou para escrever o nome das notas que nos uniam. 

 Ao lembrar dela e de sua possível passagem, a melancolia tomou conta dos meus pensamentos. Eu tive vontade de colocar um filme sírio para assistir mas, hoje, eu não queria assistir a um filme sozinha, mais uma vez... Então cantei uma música pensando naquela menina que não entendia minhas palavras, mas se esforçava para entender meu coração.



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

  "Quando se planta uma semente, você não vê as raízes se formando e se conectando ao solo."


 O meu pai, apesar de péssimo com outros seres humanos, era bom com as plantas. Tinha a "mão verde", como se diz na sabedoria popular. Uma vez eu estava brincando sozinha com uma bola no quintal e, por acidente, a bola bateu num vaso de gesso, que foi ao chão e se partiu. Eu tentei "consertar", com a forma que as crianças consertam as coisas e, obviamente, não funcionou. Meu pai percebeu. Ele ficou tão bravo por ter quebrado o vaso que parecia até que eu tinha quebrado a perna de alguém...

 Meu pai tinha muitas plantas. Atualmente, sei que isso foi herdado dele pela minha avó paterna. Hoje, olhando como uma adulta, talvez eu o classificaria como um acumulador de plantas... Acho que o desejo dele era de ter um jardim porém, infelizmente, a realidade de quem mora de aluguel dificilmente permite isso. 

 Dentre as tantas plantas que meu pai cultivava, uma ele disse que era minha. Ele disse que era um Benjamin e, anos depois, eu descobri que o nome correto daquela, até então pequena, árvore é Figueira Benjamina. Um dia, creio que para eliminar alguns vasos, antes de mais uma mudança, meu pai colocou algumas das plantas em sua Variant azul calcinha, incluindo o meu Benjamin, e me levou junto até um local próximo de onde morávamos, o Viaduto Itinguçu. Nesse viaduto, perto de uma de suas pontas, havia um espaço onde, na época, só havia terra. Meu pai estacionou o carro e descemos. Ali, naquele espaço sem vida, distribuímos alguns dos únicos seres viventes que meu pai respeitava e tinha tanto carinho e cuidado. Plantei minha primeira árvore, o meu Benjamin, naquele lugar. 

 Hoje, durante um momento específico numa oficina de escrita científica, refleti, mais uma vez, sobre a sabedoria das árvores. Os indígenas, como a minha bisavó, acreditam que as árvores são espíritos vivos, donos de uma sabedoria que transcende gerações. Muitos pajés relatam conversarem com os espíritos habitantes nas árvores, pedindo conselhos, ajudas e tudo o mais. E é engraçado, em muitos momentos da minha vida eu fiz comparações de certas situações com as árvores, não pelo cunho espiritual, mas pela significância de suas vidas. A forma silenciosa que elas germinam, criam raízes, crescem e florescem. Começam tão frágeis e terminam tão majestosas. E assim são as coisas que importam na vida, não é? Mesmo que não sejam majestosas, mas desde que tenham raízes fortes e aguentem as tempestades e as mudanças do viver. 

 Tem uma frase que eu vi um dia e que eu gosto muito, que diz: "O amor é como uma árvore, que floresce onde seria mais fácil desistir." O amor de meu pai por suas plantas, floresceu num canteiro de um viaduto. O amor da mamãe floresceu em seus filhos e em todos que ela tocou. Onde o meu sentir florescerá? Será que algum dia, as sementes do meu viver florescerão em lugares improváveis?

  


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 Esses dias choveu e eu fui até a chuva, como num ímpeto inconsciente de me fundir, juntar o meu calor com as gotas frias e vê -las ferver. Ao contrário disso, fui eu quem ficou fria e com partes molhadas.

 Não me lembro quando iniciei essa tradição... tenho a impressão de que foi no último ano de vida da mamãe mas, sempre, na primeira chuva do ano, eu tomo banho de chuva. É como se quisesse que as águas do céu carregassem tudo o que passou e limpassem minha memória. Sei, chega a ser um pouco infantil.

 As mini crônicas da minha trajetória estão, todas, registradas no livro da minha mente que, provavelmente, terá as palavras que foram escritas apagadas pelas águas que levarem o meu ser embora. Talvez a minha mente sofra uma ruptura, caso eu chegue à velhice. Talvez, num dia comum, eu escorregue, bata a cabeça e perca a memória, perdendo, também, essas histórias. Algumas histórias eu compartilhei com pessoas queridas. Outras escrevi em diários físicos e, mais algumas, estão nesse diário virtual, para que sirva de fonte para as pesquisas da inteligência artificial... Acho que a única leitora deste endereço virtual.

 Eu sempre quis ler. Na primeira infância, assistia a cenas em que apareciam um livro ou alguém lendo, e era inundada por uma vontade de fazer o mesmo. Lembro do primeiro livro que ganhei na vida: "O ratinho e a tormenta", um livro infantil que contava uma história bíblica. Nesse dia, minha mãe nos levou até uma livraria e, numa seção específica, nos disse para escolher um livro cada um. Eu queria um livro pop up, mas sabia que mamãe não poderia pagar... então escolhi o livro do ratinho. Curioso, eu nunca tive medo de ratos, nem em ilustrações. O detalhe é que eu ainda não sabia ler. A mamãe que lia para mim, enquanto que meu irmão já lia seus livros sozinho. E eu o admirava muito por isso! Ele sempre foi extremamente inteligente, quase uma enciclopédia ambulante. Não posso dizer o mesmo quanto à esperteza...

 Eu tive muita dificuldade para aprender a ler. Somente com 10 anos eu consegui ler com fluidez, consciência e interpretação. Fiquei extremamente feliz ao ver que meu filho, com apenas sete anos, deu um salto em direção ao mundo mágico da leitura! Ele sabe ler. Mamãe ficaria tão orgulhosa dele, assim como eu estou!

 Desde que eu aprendi a ler, os livros me foram companhia. Já li tantos livros que tenho dificuldade em listar no Skoob. Na verdade, eu deixei de listar... Tenho alguns livros favoritos que sempre estarão na minha memória. Mas sabe, de todos os livros no mundo, acho que o livro da minha vida é um dos mais lindos que leio e já li. Tenho uma colega que diz que minha vida dá um livro bonito e triste ao mesmo tempo, mas com uma grande história de superação. 

 Eu sei, caso as águas não apaguem a tinta da caneta que escreveu as linhas da minha vida... minha história terá um final feliz.




segunda-feira, 7 de setembro de 2026

  Hoje, após certo acontecimento do dia, me lembrei de uma das várias discussões que tive com meu irmão, numa época muito conturbada... A frase que ele me disse em uma determinada situação, quase pôde se transportar para o tempo presente...

 "Você se tornou aquilo que você tanto detestava e lutava contra."




domingo, 6 de setembro de 2026

 Houve uma época em que eu tocava bem. Eu estudava muito, pois meus sonhos e objetivos para sair da realidade em que eu vivia, dependiam desse ato, o de tocar bem. Nessa época, os testes para ingressar em conservatórios e orquestras remuneradas eram um pouco diferentes. Hoje está tudo um pouco mais fácil, com vídeo aulas e partituras gratuitas na internet. Naquela época, estudantes de música como eu era, tinham que ir à biblioteca e fazer cópias das partituras, que deveriam ser estudadas com um professor presencialmente, para se ter ao menos o mínimo de noção de como tocar. Você se preparava praticamente um ano inteiro para fazer as provas em fevereiro e março...e, com sorte, ser classificado. 

 No último ano em que eu prestei tais provas, eu não tive como pagar aulas com um professor particular. Eu tinha um amigo que já era formado em música e tocava violino numa banda e, esporadicamente, ele me dava algumas dicas...mas naquele ano nós havíamos perdido o contato. Mas eu continuava estudando...quase até a exaustão. A "marca de violinista" em meu pescoço ficou roxa, devido as horas de estudo.

 Chegou o dia de uma das provas, a primeira de cinco testes que eu faria: dois para conservatórios e três para tentar ingressar em orquestras. Nessa altura do campeonato, eu já sabia como funcionava a "panelinha" da música clássica e a podridão por detrás do meio erudito. Eu entrei na sala de audições quando chamaram meu número. Me apresentei, falei um pouco sobre a trajetória até aquele momento e pediram para eu tocar a peça que havia preparado. Após os primeiros compassos, um funcionário abriu a porta da sala com um ventilador ligado, derrubando as minhas partituras. Eu fechei os olhos e continuei tocando. A banca examinadora ouviu a música quase até o fim... Quando disseram que eu podia parar, fizeram mais algumas perguntas e disseram que eu podia ir embora. Sem reclamações, sem as caretas de desagrado que eu já conhecia. A esperança me tocou. Eu sabia que havia tocado bem, ainda mais sem as partituras.

 O teste seguinte, para outra escola de música, foi similar. Toquei bem, a banca fez anotações e eu fui embora. 

 No teste da primeira orquestra, eu vi alguns rostos familiares, rostos que erguiam os narizes e olhavam para pessoas como eu com olhares contra plongée. Me senti como num filme do Tarantino. Nesse, eu toquei bem, mas não bem como a banca queria. 

 Na audição da segunda orquestra, eu encontrei um colega. Uma peça rara entre aqueles seres repletos de arrogância. Ele tocou primeiro e "deu o toque" do que a banca estava esperando. Chegou a minha vez. A banca pediu escalas e arpejos diferentes dos que eu havia estudado. Me esforcei para lembrar dos acidentes da escala. Desafinei. Um professor da banca, um homem chamado Ênio, deu risada e fez comentários em voz baixa com os outros integrantes na mesa. Toquei a peça que havia estudado...toquei mal. Mais risadas e uma avalanche de perguntas: quem era meu professor, com quantos anos eu comecei a estudar, quantas horas por dia eu tocava, se meu violino era de fábrica ou de luthier... Disseram que eu podia ir embora e saí sem olhar para trás. Na saída do prédio, encontrei uma colega que queria conversar, mas eu só queria entrar no trem e ir embora.

 No teste da terceira orquestra eu não consegui ir. Estava sem o dinheiro da passagem para ir até a USP.

 Chegou o dia de ver o resultado. Naquela época a lista com os aprovados não era publicada na internet, você tinha que ir até o local e as listas estavam impressas e coladas na parede, para que vissem. Comecei pelas listas das orquestras. Não passei. Mas eu já sabia que não passaria... A lista da segunda escola de música ficava no mesmo prédio que o das orquestras, mas em outro andar. Meu nome não estava lá. Fiquei triste, mas eu sabia que tinha ido bem na primeira audição, ainda mais tocando sem as partituras. Entrei no metrô e fui até a primeira escola de música para ver as listas. Naquele momento eu estava esperançosa, pra não dizer confiante, de que havia passado. Olhei as listas e procurei meu nome. Olhei três vezes. Não achei. Olhei pela quarta vez. Meu nome não estava lá. Nem como suplente. Se eu pudesse me ver em terceira pessoa, seria como uma cena de filme. Parada em frente ao papel fixado na parede, os olhos fixos e tristes, o braço abaixando sendo acompanhado pela cabeça. Fui ao banheiro e chorei. Quando bateram na porta eu abri e fui embora, tentando controlar o choro por todo o caminho de volta. 

 Por uma série de motivos, aquela foi minha última chance. Eu não poderia continuar estudando como eu estava, não poderia me dedicar para tentar novamente no ano seguinte. Aquelas audições eram minhas últimas esperanças. E eu não consegui. Como as folhas da partitura que voaram enquanto eu tocava, a última chance que eu tinha se foi sem que eu tivesse conseguido. Foi a última vez em que prestei audições.

 Hoje eu toquei a música que toquei na primeira audição daquele dia. Não houveram folhas voando e eu também não fechei os olhos para tocar, pois não me lembro mais das notas, caso me tirem a partitura. Fui inundada por uma sensação que não sei bem como descrever. Eu queria que muitas coisas na minha vida fossem diferentes mas, essa parte, é uma das que eu mais queria que tivesse dado certo. Se o plano que fiz naquela época, com 17 anos, tivesse funcionado, eu teria sido poupada de muitas situações tristes e cruéis... Engraçado que quando um certo alguém me via me dedicando tanto, estudando arduamente, tocando até o pescoço, os dedos e o braço doerem, me criticava e perguntava por que eu queria tanto ser só mais uma no meio de um bando de gente chata. Eu respondia que queria ser só mais uma que venceu, não que fracassou.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 Existiu nessa terra, uma vez, um homem ferido. Usava uma armadura escura, para que o sangue que pingava de seus ferimentos não fosse visto no campo de batalha. Fincou espinhos no interior de seu elmo, para manter constante e vívida a lembrança de seus erros e remorsos. Certa vez deparou-se com uma borboleta e, por ela, se apaixonou. Pegou-a em sua mão marcada e levou-a junto a seu peito. Fechou os olhos diante o sentir que surgiu, estranho à ele, sentimento o qual ele cria não ser digno... confusão feita em sua mente, mista com a dor dos espinhos. Diante tal ato, sem notar, molhou a borboleta com seu sangue.  Assustou-se ao ver seu amor manchado de vermelho e, no impulso, lançou - a longe... involuntariamente, matando-na. Mares caíram de seus olhos.

 Tal homem dedicou o resto de seus dias a plantar flores, no anseio de ter o perdão que almejava e a trégua para a dor dilacerante de sua alma cuja qual, uma vez, pôde um dia descansar em asas cor de luz.