Existiu nessa terra, uma vez, um homem ferido. Usava uma armadura escura, para que o sangue que pingava de seus ferimentos não fosse visto no campo de batalha. Fincou espinhos no interior de seu elmo, para manter constante e vívida a lembrança de seus erros e remorsos. Certa vez deparou-se com uma borboleta e, por ela, se apaixonou. Pegou-a em sua mão marcada e levou-a junto a seu peito. Fechou os olhos diante o sentir que surgiu, estranho à ele, sentimento o qual ele cria não ser digno... confusão feita em sua mente, mista com a dor dos espinhos. Diante tal ato, sem notar, molhou a borboleta com seu sangue. Assustou-se ao ver seu amor manchado de vermelho e, no impulso, lançou - a longe... involuntariamente, matando-na. Mares caíram de seus olhos.
Tal homem, hoje, planta flores, no anseio de ter o perdão que almeja e a trégua para a dor dilacerante de sua alma cuja qual, uma vez, pôde um dia descansar em asas cor de luz.

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