Eu conversava com uma amiga sobre religião. O que foi, de certa forma, curioso, pois estes últimos tempos tenho refletido muito sobre o tema. Penso que se eu morresse hoje e me fosse dado o privilégio de ver minha mãe, ela me perguntaria em que momento fiquei tão perdida. Eu sempre digo que o desespero é o que faz as igrejas ganharem dinheiro. Compram a fé das pessoas, prometendo resoluções. Comigo não foi diferente. Porém, agradeço por ter uma mente que me permite ter o benefício da dúvida. Muitas vezes a dúvida e essa minha mania de observar, me fazem desacreditar. Alguns, como os entusiastas da lei da atração, diriam que não tenho fé o suficiente. Já me disseram que existe um modo certo de pedir as coisas à Deus, do contrário, Ele não atende os pedidos. Muitas pessoas me ensinam o modo certo de pedir, que varia da crença de cada uma dessas pessoas. Eu, em meus momentos de desespero, recorri a tudo e todos os modos. Acho que foi aí que me perdi. Já fui em tantos lugares que perdi a conta. Conheço todas as vertentes de igrejas protestantes e católicas. Conheço a linha messiânica. Conheço o budismo. Conheço o espiritismo. Conheço o gnosticismo. Conheço o xamanismo. Conheço a umbanda. Nessa última, ocorreu um fato curioso. Foi um dos últimos lugares que fui, principalmente enquanto minha vida estava um caos, de ponta cabeça. Me senti acolhida por um tempo e pensei ter encontrado um lugar para frequentar. Mas essa minha mania de observar e questionar, me encheu de dúvidas. Eu, uma vez, fui elogiada por uma entidade muito forte. Ela disse que eu era linda e que tinha um homem que me via passando. Ela perguntou se eu queria que ela me mostrasse quem era e eu disse que sim. Não vi nada. Talvez, como uma amiga disse, essas coisas não sejam permitidas para qualquer um. No momento em que a entidade falou, eu tive vontade de retrucar, dizendo que o único que me via passando era meu vizinho, que diz ser traficante. Me perguntei internamente se ela estava brincando com a minha cara...
Sim, eu me considero uma pessoa de fé. Porém também sou realista. Creio que as religiões pregam a mesma filosofia, porém com nomes e doutrinas diferentes. Mas todas são águas que deságuam no mesmo rio. Eu acredito sim que existe um ser maior, que tem um nome em cada religião. Alguns chamam de Deus, outros de Olorum, outros de Nhanderu, outros de Jeová. Mamãe chamava Ele de Papai. Eu costumo conversar com Ele, como converso com os vovôs. Eu sempre fui chamada de simples, no sentido pejorativo da palavra, então não conheço outra forma de falar com Ele, a não ser com minha simplicidade. Às vezes acho que não é suficiente. Fico me perguntando se, caso eu fosse uma pessoa ruim, dessas que têm inveja, que fazem trabalhos, feitiços, simpatias, se eu fosse alguém egoísta, alguém que, para conseguir o que quer, não se importa com nada nem ninguém, as coisas para mim seria diferentes. Mas eu tenho sangue indígena nas minhas veias, na minha ancestralidade...não consigo ser algo que vai contra meus princípios. Eu converso com as árvores e as borboletas. Eu olho nos olhos dos gatos e cachorros e pergunto se eles estão bem. Eu olho o céu e as raízes. Eu gosto de chás e banhos de ervas. Quando alguém me fere, tento entender o porquê. Eu me ajoelho quando não tenho mais forças ou armas para lutar. Algumas vezes pensei que Deus havia se esquecido de mim. Porém me dei conta de que eu sou um grão de areia e Ele tem problemas maiores para resolver. Mas seria legal se, de vez em quando, ele olhasse para esse pingo de tinta numa tela gigantesca e quisesse olhar para mim, para os meus pedidos simples, mas que eu mesma não tenho armas para atender.
Perto de onde nós estamos morando tem um lugar, uma espécie de barranco, com algumas árvores (sempre tem que ter ao menos uma árvore...), ao redor. Meu filho e eu apelidamos o local de canto dos desejos, pois num momento de muita tristeza, fizemos nossos pedidos e sopramos, cada um, um dente de leão, pedindo que os nossos pedidos fossem atendidos. Os pedidos do meu filho foram atendidos. Os meus ainda não. Meu filho disse que meus desejos serão realizados no dia 09/12/2026. Eu fiquei desanimada com a demora, mas disse que vou confiar na palavra dele, já que crianças, pelo jeito, tem uma afinidade maior com Nhanderu. Espero conseguir aguentar a vida até lá.
Esses dias, numa dessas "mensagens que o universo manda", disseram que eu era muito amada não somente no mundo físico, mas no mundo espiritual também. Que eu tinha muitos seres no plano espiritual olhando por mim. E olha, no mesmo local em que fui elogiada por uma moça, me disseram que eu tinha vários caboclos que me protegiam, e que eram tão grandes e fortes que pareciam até Exus. Pensei, com carinho, nos meus ancestrais indígenas, que, uma vez, me pediram para eu trabalhar mais com as minhas mãos. Não foi a primeira vez que me disseram que esses caboclos me acompanham. Eu sempre tive um carinho especial por algumas, do que chamam na umbanda, entidades, mesmo antes de saber seus nomes. Quando converso com o Papai, sei que, talvez, eles estejam ouvindo e torcem por mim. Sei que muitos torcem para que dê tudo certo pra mim. Eu torço também.
















