Hoje, à caminho da escola, eu e meu filho nos deparamos com dois gatos em nossa caminhada. Como não era de se esperar que fosse diferente, paramos para acariar e conversar com os bichanos. Meu filho, assim como sempre, pediu para adotar o gatinho. Eu disse que mais pra frente a gente adota um gatinho e que o tio Lucas já deve ter um gatinho separado para o Minato em sua casa. Esse "mais pra frente" se tornou a minha versão do "na volta a gente compra".
Gatos sempre me chamaram a atenção, o interesse e a curiosidade. Admiro a forma que eles vivem a vida e, certa vez, escutei um episódio de um podcast que falava exatamente sobre isso. Já li muitos livros que falam sobre coisas que podemos aprender com os gatos e etc. Há um comentário em meio aos protetores de animais que diz que as mulheres são inteligentes e misteriosas como os gatos e os homens tapados e previsíveis como os cachorros. Não concordo 100% com essa afirmação. Já muitos homens enigmáticos e muitas mulheres carentes e tapadas. Engraçado que a maioria dos livros que li sobre o assunto, deságua naquela balela do amor próprio. Amor próprio virou a nova "autoajuda" que eu sempre menosprezei. Não, não estou dizendo que você não deva se amar acima de tudo, muito pelo contrário. Nós temos que ser mais importantes. Não podemos aceitar qualquer coisa nem algo que nos fere os princípios. Não podemos nos humilhar pedindo algo que deveria ser oferecido sem cerimônia. Mas, ao pregar e enfiar esse assunto de amor próprio garganta abaixo dos seres humanos, sem notar, estão criando robôs. Aqueles que não tem capacidade para entender a essência do assunto, distorcem - no. Estão fazendo com que as pessoas se tranquem e deixem de viver algo que valeria a pena viver. Estão fazendo as pessoas acreditarem que as pessoas são substituíveis e não, não são. O mundo tem bilhões de pessoas, mas uma nunca é igual a outra. Às vezes se perde a chance de viver algo legal, simplesmente por um detalhe ou outro da pessoa que desagrada... e daí simplesmente busca uma "pessoa melhor" depois. Compararam as pessoas a gatos, mas se esqueceram que nós, humanos, não somos felinos. Precisamos da nossa individualidade, mas também precisamos conviver em sociedade. Eu conversava com uma amiga sobre isso outro dia... Ela está numa fase em que sente muito sozinha e eu a inspirei a, como eu, fazer coisas sozinha mesmo! A gostar da própria companhia, gostar de passar tempo consigo mesma. Ela disse que precisa aprender comigo essa arte da solitude. Dei um sorriso de canto de boca. A solitude do amor próprio te faz entender que você não precisa de ninguém para ser feliz e, na verdade, é errado depositar sua felicidade em outra pessoa. Mas também não te livra dos pormenores da solidão. Sim, eu me amo e me coloco acima de tudo e tenho princípios que são inegociáveis. Sim, se não tem ninguém pra me ajudar, vou ter que dar um jeito de resolver tudo sozinha mesmo. E tudo bem. Isso é ser um adulto funcional. Sim, quando algo acaba, fico sentida, mas minha vida não pode parar por conta de cada fim. Não, eu não quero ninguém pra me salvar, afinal de contas, isso é muito raro de acontecer.
Mas sim, eu também queria ser especial pra alguém. Queria que alguém gostasse de mim apesar dos meus problemas e questões. Queria ter um abraço pra repousar quando meu mundo pesasse... assim como minha alma pesa por esses dias. Mas, como me disseram uma vez, pessoas como eu ficarão sozinhas. E eu tenho que me acostumar. Talvez esteja na hora de eu ser vilã, não me importar com os sentimentos dos outros e me fechar. Usar a balela do amor próprio como desculpa para encobrir uma vontade de sentir que contrasta com o medo de mostrar.
Morrerei sozinha, assim como todo mundo. Talvez eu realmente não cause atração nem cative ninguém. Eu sei. Dane-se, eu não ligo! Eu sou muito melhor que esses projetos de homem que não sabem tratar bem uma mulher! (Barreira do amor próprio equipada com sucesso)














