Esse inverno tem sido, particularmente, mais frio que o comum para mim. Ocasionalmente isso ocorre e eu mantenho os olhos atentos para o primeiro raio de sol da primavera. Na primavera começam a cair pequenas flores, ipês e similares, cuja visão aquece minha alma. Essas flores formam um tapete amarelo nas calçadas de alguns bairros e, quando eu era criança, achava que essas flores pequeninas eram pedacinhos do Sol.
Este inverno tem sido marcado por algumas notícias ruins, que me causam a apreensão e angústia de que eu tanto quero me libertar. As notícias dos últimos dias me levaram a pensar sobre as partidas, as despedidas em vida.
Soube, recentemente, do falecimento de um antigo colega. Lembro-me dele por seu jeito extrovertido e extravagante. Ele era escritor e uma vez me deu o rascunho de seu livro para eu ler. Confesso que não gostei, não fazia meu tipo de leitura. Mas eu disse à ele que gostei muito. Ele abriu um sorriso largo. No comunicado de seu falecimento, seu sobrinho descreveu o quanto ele havia sido importante e deixou a seguinte mensagem: "(...) A partida dele me ensinou uma coisa que eu queria compartilhar com todos os amigos dele aqui: Nunca deixem de dizer "eu te amo". A gente sempre acha que vai ter tempo depois, que vai ter outra visita, outra ligação, outro abraço. Mas a vida é agora. Se você tem alguém que ama, diga hoje. Ligue, abrace, mande mensagem. Não guarde o "eu te amo" pra depois.(...)"
Como em À espera de um milagre, acho que esses momentos fazem parte dos nossos castigos na vida: ver pessoas que apreciamos partirem... até que chegue a nossa vez.
Hoje, tenho poucas pessoas que realmente amo em minha vida. Há uma pessoa extremamente especial para mim, cuja importância eu nem consigo mensurar. Algumas atitudes dela vinham me causando estranhamento: alguns comportamentos, algumas falas... ela me presenteou com coisas que eram especiais para ela, na vida dela... e então veio uma notícia que eu não queria receber. Gostaria de ter feito como uma criança no jardim de infância, que tapa os ouvidos para não escutar. Ela é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço e, perante a sua força, sua resiliência, sua vontade de seguir em frente e, ao mesmo tempo, sua conformidade...eu me sinto inspirada. E, ao mesmo tempo, minúscula e indigna. Sei, ela mesma me disse, que tenho algumas questões que me fazem ser assim e que não devo me culpar tanto...mas é inevitável não pensar em como alguém tão importante passa por isso...enquanto que alguém tão insignificante como eu, continua aqui, respirando...
Logo a primavera chegará e os pedacinhos de Sol cairão. Quero que caiam também minhas dores e todas essas situações tristes com as quais não tenho forças para lidar...
























