Ontem, sonhei com uma ventania que ameaçava levar longe o resto de coisas que existiam na minha casa despedaçada. Acordei com o pensamento que o pouco que havia me restado, o vento queria me tirar. Curioso que, a cerca de uma semana, houve uma ventania muito forte e repentina onde, hoje, eu vivo. Foi tão forte que dobrou os galhos da árvore em frente à minha morada. Eu, obviamente, levantei meus olhos para o topo da árvore, onde a visão funde a copa das árvores e o céu, e pedi que aquela mesma ventania que movia as folhas, as sementes e as areias, movesse, também, as minhas tristezas.
Há uma história sobre o compositor João Gilberto que diz que, certa vez, ele estava olhando por uma janela e lhe perguntaram o que ele estava fazendo. Ele respondeu que estava olhando o vento descabelando as árvores. Ao que a pessoa lhe disse que "árvore não tem cabelo", ele respondeu: "E tem gente que não tem poesia."
Árvores e vento...duas forças sábias da natureza...
Eu tenho poesia...Algum dia valerá para alguém "ler"?

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