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quarta-feira, 31 de julho de 2024

Carta para o regresso

 É tão estranho voltar para um lugar de onde se afastou por tanto tempo, depois de tantas histórias, de tantas mudanças... 
 A escrita e a música sempre foram lugares de refúgio na minha vida, onde me escondia nos momentos em que me faltava voz. Lembro de deixar escorrer lágrimas nos livros quando era criança e na madeira do violino na adolescência. Agora, passados oito anos de uma cortina de fumaça que ardia os olhos, volto para o meu esconderijo... curada, talvez? Tenho minhas dúvidas de se algum dia conquistarei a minha cura...
 Retornar me fez ter a certeza de algumas dúvidas sempre presentes para mim... sinto que, realmente, as letras me são mais familiares do que as entonações. Eu gostaria muito de ter o dom da oratória, mas me parece que fui mais agraciada com o da escrita. E olha, que irônico: logo eu, uma professora...
 Espero conseguir seguir por um tempo nesse ciclo...e espero que dure ao menos um terço do tempo em que fiquei distante. Mas, dadas as atuais circunstâncias, não prometo e não garanto que eu volte amanhã...



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

 Achei esse texto, de alguns anos, nos arquivos de postagens que escrevi e nunca publiquei. Assim como seres viventes, palavras nascem e morrem todos os dias. Talvez tenha chego a hora de desenterrar essas palavras esquecidas no arquivo de um blog que ninguém mais lê. 


Eu sempre passei despercebida, por ser uma menina muito calada, e isso sempre me afetou...pensava no por que de não ser como outras pessoas. A um tempo atrás, uma pessoa especial me disse para não medir minha vida com a régua dos outros e assim venho fazendo... enfim. Mas olha, eu, dificilmente, passava despercebida aos professores porque minha notas sempre foram altas. Assim foi até que eu mesma me tornasse uma professora. Porém, em um momento difícil da minha vida, um professor mexeu comigo. Tive alguns professores especiais, os quais lembro e foram essenciais para que eu tornasse o que sou, mas esse professor em especial me desafiou. Ele me tratava de uma forma que eu, que nunca soube e entendi muita coisa, achava que era desprezo, menosprezo e até humilhação. Como ele podia me tratar assim? Eu, que sempre fui uma ótima aluna, ninguém nunca tinha nada a se queixar de mim? Eu estava num momento difícil na vida. Eu estava perdida e não sabia o que fazer. Eu queria o colo da minha mãe a todo custo, mas eu não podia ter. Nunca fui considerada uma pessoa ruim, como ele tinha a audácia de agir comigo daquele jeito? Das minhas poucas conversas com ele saiam faíscas. Os olhares eram de 'rabo de olho'. Até que, certo dia, eu desmoronei. Não conseguia fazer a atividade que ele pediu. Eu estava numa fase difícil e, todos os meus sentimentos, bons e ruins, escorreram pelos meus olhos. Ele foi o único que veio até mim. Eu poucas palavras, ele deu sentido à tantas coisas, explicou o porquê de tantas coisas... Hoje, eu carrego a lição tão preciosa que esse grande mestre me ensinou: Mesmo que o brilho dos meus olhos se perca, não posso jamais deixar que o brilho dos meus alunos tenha o mesmo destino, mesmo que, para isso, eu nunca leve créditos.



sábado, 19 de março de 2016

 Às vezes você pode me achar sem palavras, pensar que não quero falar porque me acho superior... Mas eu simplesmente não quero te falar que riram de mim porque não sei fazer algo ou porque fiz errado; não quero te falar que tentei de todos os jeitos não fracassar mas não adiantou; não quero te falar que por mais que eu tente, não saio do lugar. Às vezes eu não quero te falar dos meus sonhos gigantescos e de como eles foram aos poucos diminuindo até virarem pó. Não quero te falar que, por mais que você pense que eu sou uma heroína, não passo de uma simples 'lavadeira'. Por vezes eu não quero que você saiba que perco horas dos meus dias e noites refletindo se realmente o que faço vale a pena, se caso eu parta abruptamente, farei alguma falta...

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

 Uma mariposa branca entrou na cozinha e voou para escapar do gato. Admirei-a por sua beleza rara e por escapar tão facilmente do felino. Senti uma inveja extrema, assim como invejo a maioria dos seres que possuem asas e podem ir para onde quiserem. 
 Diz uma lenda que quando uma mariposa branca adentra sua residência, traz consigo sorte ao morador...será que aquela mariposa me emprestará as suas asas?


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

 Eu estava de olhos fechados, sentada no banco de um transporte público, quando uma risada alta de criança me fez despertar. O lugar não estava cheio, mas haviam algumas pessoas de pé. A criança fazia graça com tudo o que via, até que parou e olhou fixamente para algum lugar. Reparei um rapaz sorridente porém com as costas curvadas, como se carregasse um peso suportável porém difícil... ele tinha na mão um saco de pipoca, aparentemente o objeto de desejo da criança. O rapaz então colocou uma pipoca na boca e se dirigiu à criança, perguntando para a mãe da mesma se poderia entregar o saco de pipoca. Mal a mãe respondeu que sim, a criança começou a comer as pipocas com a maior vontade que já vi! O rapaz se afastou ainda sorridente, baixando a cabeça. Conforme ele se afastava, o sorriso se desfazia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015


Hotaru no Haka é um dos filmes mais tocantes que já assisti. Um filme que faz refletir sobre injustiça, sobre perda, sobre esperança e também sobre escolhas... Esse tal "direito de escolha" que está presente em quase tudo. E é esse "direito de escolha" que faz crescer dentro de nós a esperança. Li algo interessante sobre esperança em algum lugar, era mais ou menos como: "A esperança é a pior coisa que alguém pode ter." . De certa forma concordo, porque enquanto se tem esperança, você não consegue ter um final. 
Acho que foi o meu direito de escolha que me fez ter esperança em algumas coisas e uma aflição na alma para outras. Tento fingir que não ligo, mas todos sabem, quem tem esperança sempre liga...Mas acho que o pior de tudo é ver que, se eu tivesse escolhido seguir 'L' ao invés de 'R', meu destino seria parecido com o de Setsuko... e isso faz a esperança quase me matar... 


domingo, 9 de agosto de 2015

 Por várias vezes eu relembrei o passado, tentando encontrar uma explicação para tudo que aconteceu. Não encontrei. Talvez, como um daqueles segredos que são levados ao túmulo, ou aquelas verdades que permanecem ocultas, você estava apenas tentando evitar ainda mais dor e mais confusão. Relembro os fatos e vejo que você não foi de tudo mau, porém também não foi bom. Às vezes evito algumas pessoas e acabo, mesmo que contra a minha vontade consciente, ignorando outras porque elas me lembram você. Tive muitas dificuldades por sua causa e algumas delas ainda não consegui superar. Houve medo, tristeza e mágoa e não sei de certo se esses sentimentos foram embora. 
 É estranho como o universo age... eu não queria crescer, sempre foi meu medo desde a infância. Eu não queria nada daquilo, mas em meio à toda a dor, a raiva, a tristeza, a mágoa e a amargura que você pareceu mastigar e engolir, fui obrigada a crescer. Eu, em parte, compreendo o porque de algumas coisas e te perdôo, peço à Deus cuidar de você... porém não te quero por perto. Sinto muito.


sábado, 16 de maio de 2015

Desculpe

Desculpe, eu não queria ser assim. Sinto muito por não ser da forma que você queria que eu fosse. Desculpe por toda a dor que eu causei. Desculpe ter te decepcionado tanto, mas assim estou agora...talvez sempre fui... o projeto que sempre dá errado, aquele que é sempre pela metade.



quinta-feira, 14 de maio de 2015

“Eu soube que ela foi chamada de covarde por ir embora, uma errante sem propósito, mas nem todo errante é sem propósitos, especialmente aquele que busca a verdade além da tradição, além da definição, além da imagem...”


terça-feira, 12 de maio de 2015

O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.

Toda a amargura retardada da minha vida despe, aos meus olhos sem sensação, o traje de alegria natural de que usa nos acasos prolongados de todos os dias. Verifico que, tantas vezes alegre tantas vezes contente, estou sempre triste. E o que em mim verifica isto está por detrás de mim, como que se debruça sobre o meu encostado à janela, e, por sobre os meus ombros, ou até a minha cabeça, fita, com olhos mais íntimos que os meus, a chuva lenta, um pouco ondulada já, que filigrana de movimento o ar pardo e mau.

Abandonar todos os deveres, ainda os que nos não exigem, repudiar todos os lares, ainda os que não foram nossos, viver do impreciso e do vestígio, entre grandes púrpuras de loucura, e rendas falsas de majestades sonhadas... Ser qualquer coisa que não sinta o pesar de chuva externa, nem a mágoa da vacuidade íntima... Errar sem alma nem pensamento, sensação sem si-mesma, por estrada contornando montanhas, por vales sumidos entre encostas íngremes, longínquo, imerso e fatal... Perder-se entre paisagens como quadros. Não-ser a longe e cores...

Um sopro leve de vento, que por detrás da janela não sinto, rasga em desnivelamentos aéreos a queda retilínea da chuva. Clareia qualquer parte do céu que não vejo. Noto-o porque, por detrás dos vidros meio-limpos da janela fronteira, já vejo vagamente o calendário na parede, lá dentro, que até agora não via.

Esqueço. Não vejo, sem pensar.

Cessa a chuva, e dela fica, um momento, uma poalha de diamantes mínimos, como se, no alto, qualquer coisa como uma grande toalha se sacudisse azulmente aberta dessas migalhinhas. Sente-se que parte do céu está já azul. Vê-se, através da janela fronteira, o calendário mais nitidamente. Tem uma cara de mulher, e o resto é fácil porque o reconheço, e a pasta dentífrica é a mais conhecida de todas.

Mas em que pensava eu antes de me perder a ver? Não sei. Vontade? Esforço? Vida? Com um grande avanço de luz sente-se que o céu é já quase todo azul. Mas não há sossego — ah, nem o haverá nunca! — no fundo do meu coração, poço velho ao fim da quinta vendida, memória de infância fechada a pó no sótão da casa alheia. Não há sossego — e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter...

Fernando Pessoa



terça-feira, 14 de abril de 2015

Como se retorna ao curso de uma antiga vida? Como seguir em frente quando no íntimo se começa a entender que não há voltaHá certas coisas que o tempo não pode curar algumas feridas são tão profundas que nos seguem para sempre!”




quinta-feira, 2 de abril de 2015

  Às vezes acho que não valho muita coisa, penso que estou passando direto pela vida, sem deixar rastros... Porém sempre tive em mente que devemos tentar repassar o melhor de nós, encantar, envolver,  para que a vida não seja tão ruim. Como professora, vejo oportunidade para essa 'missão'. 
  Sou professora a quase 10 anos e tive muitos alunos; alguns lembram de mim, muitos sei que não. Acho que a profissão de professor pode ser comparada a de músico, tanto no fato de as duas possuírem o "poder do encanto", como no fato de as duas serem profissões muitas vezes ingratas. Logo, um professor de música como eu, tem um combo de sentimentos todos os dias.
  Semana passada aconteceu algo que entrou para o meu livro de memórias. Eu estava à caminho do trabalho e avistei um ex aluno. Notei que ele estava mexendo as mãos, mas só percebi o que ele fazia quando chegou perto: Ele fingindo que tocava piano! Quando me viu ele correu e me abraçou tão forte que quase fiquei sem ar. Perguntei como estava na escola nova e ele disse que era chato porque não tinha aula de música. Depois de uma conversa breve, me despedi e ele disse: "Tia Lidia, até amanhã!" 
  Eu não estava muito bem naquele dia, mas aquele breve minuto iluminou meu dia...É, acho que eu não sou tão inútil afinal... Espero estar deixando algumas sementes do meio do caminho da minha vida. 
 

  "O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que se destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou."



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

“Quando eu morrer, o fio de prata de um colar de pérolas vai se arrebentar, e todas as pérolas, lisinhas e acetinadas, vão rolar pela terra e correr de volta para a casa delas, para suas mães-ostras lá no fundo do mar. Quem vai mergulhar e apanhar minhas pérolas depois que eu tiver ido embora? Quem vai saber que elas eram minhas? Quem vai adivinhar que antigamente, há muito tempo, o mundo inteiro pendia em torno do meu pescoço?”


domingo, 16 de novembro de 2014

 Peguei uma cartela de um medicamento qualquer e tomei. Engoli a seco e alguns comprimidos entalaram na minha garganta. As lágrimas não paravam de cair e se misturaram com a saliva... Então cuspi o tanto que pude e voltei pra cama, com muito frio e dor...me cobri até a cabeça e molhei o travesseiro com a chuva dos meus olhos.
  Eu poderia ter feito força para engolir ao invés de cuspir, e tudo estaria acabado. Não pensei em ninguém, apenas no único que deita aos meus pés quando estou deprimida, que me pede colo quando estou triste e que me morde quando estou distraída...pensei no único que me abraça nesses dias nebulosos e que aguarda minha chegada mesmo na chuva, para se enroscar em minhas pernas, lembrando - me de que, independente do que aconteça, e por mais cruel que a vida possa ser, ela tem que continuar...


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quando eu morrer quero virar uma estrela


quarta-feira, 12 de março de 2014

Às vezes tenho a certeza de que o problema sempre fui eu... sempre faço tudo errado... 




terça-feira, 11 de março de 2014

 Você pode sentir a minha dor? 
 Você consegue enxergar através dos meus olhos?



segunda-feira, 10 de março de 2014

 Até metade da adolescência eu achava que morreria com uma certa idade. Se a minha premissa estava certa, tenho pouco mais de um mês de vida...
 Não quero passar o restante dos meus dias chorando...




domingo, 9 de março de 2014

 Será que algum dia conseguirei transformar todas as minhas lágrimas e tristezas em notas para uma sinfonia?