quarta-feira, 9 de setembro de 2026

 Esses dias choveu e eu fui até a chuva, como num ímpeto inconsciente de me fundir, juntar o meu calor com as gotas frias e vê -las ferver. Ao contrário disso, fui eu quem ficou fria e com partes molhadas.

 Não me lembro quando iniciei essa tradição... tenho a impressão de que foi no último ano de vida da mamãe mas, sempre, na primeira chuva do ano, eu tomo banho de chuva. É como se quisesse que as águas do céu carregassem tudo o que passou e limpassem minha memória. Sei, chega a ser um pouco infantil.

 As mini crônicas da minha trajetória estão, todas, registradas no livro da minha mente que, provavelmente, terá as palavras que foram escritas apagadas pelas águas que levarem o meu ser embora. Talvez a minha mente sofra uma ruptura, caso eu chegue à velhice. Talvez, num dia comum, eu escorregue, bata a cabeça e perca a memória, perdendo, também, essas histórias. Algumas histórias eu compartilhei com pessoas queridas. Outras escrevi em diários físicos e, mais algumas, estão nesse diário virtual, para que sirva de fonte para as pesquisas da inteligência artificial... Acho que a única leitora deste endereço virtual.

 Eu sempre quis ler. Na primeira infância, assistia a cenas em que apareciam um livro ou alguém lendo, e era inundada por uma vontade de fazer o mesmo. Lembro do primeiro livro que ganhei na vida: "O ratinho e a tormenta", um livro infantil que contava uma história bíblica. Nesse dia, minha mãe nos levou até uma livraria e, numa seção específica, nos disse para escolher um livro cada um. Eu queria um livro pop up, mas sabia que mamãe não poderia pagar... então escolhi o livro do ratinho. Curioso, eu nunca tive medo de raros, nem em ilustrações. O detalhe é que eu ainda não sabia ler. A mamãe que lia para mim, enquanto que meu irmão já lia seus livros sozinho. E eu o admirava muito por isso! Ele sempre foi extremamente inteligente, quase uma enciclopédia ambulante. Não posso dizer o mesmo quanto à esperteza...

 Eu tive muita dificuldade para aprender a ler. Somente com 10 anos eu consegui ler com fluidez, consciência e interpretação. Fiquei extremamente feliz ao ver que meu filho, com apenas sete anos, deu um salto em direção ao mundo mágico da leitura! Ele sabe ler. Mamãe ficaria tão orgulhosa dele, assim como eu estou!

 Desde que eu aprendi a ler, os livros me foram companhia. Já li tantos livros que tenho dificuldade em listar no Skoob. Na verdade, eu deixei de listar... Tenho alguns livros favoritos que sempre estarão na minha memória. Mas sabe, de todos os livros no mundo, acho que o livro da minha vida é um dos mais lindos que leio e já li. Tenho uma colega que diz que minha vida dá um livro bonito e triste ao mesmo tempo, mas com uma grande história de superação. 

 Eu sei, caso as águas não apaguem a tinta da caneta que escreveu as linhas da minha vida... minha história terá um final feliz.




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