sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 "(...) Mas você mudou de ideia? Você moraria ou se casaria com alguém de novo?

 - Sim. Se eu eu gostar muito da pessoa, se ele for bom para mim e para o meu filho, e se eu ver que é alguém que vai somar na minha vida, sim "

 - E você moraria comigo algum dia?

- Com certeza, não. "


 Foi assim que, a um tempo atrás, eu disse não para o que, talvez, se tornaria um relacionamento. 

 Hoje, não consigo mais me imaginar em uma relação pesada, onde tenho que me desgastar e, praticamente, me humilhar, para ter respeito, lealdade e carinho. Outro dia uma colega de Krav Maga disse estar muito feliz pois, finalmente, estava sendo amada em voz alta. Seu novo namorado faz questão de postar fotos dos dois juntos a todo momento. Fiquei feliz por ela mas, ao mesmo tempo, lembrei-me de um amigo que teve a mesma atitude com sua, então, namorada. Era muito bonito de se ver, os dois trocavam declarações públicas de afeto, faziam questão de publicar as muitas fotos que tiravam, das muitas viagens que faziam. Compartilhavam, praticamente, todos os momentos e hobbies e, sendo sincera, chegou no ponto em que não dava pra saber qual era o lazer favorito de quem. Os dois estavam se fundindo. Não me surpreendeu quando, abruptamente, os dois apagaram todas as fotos, mudaram os status de relacionamento e se deletaram das redes sociais. Eu gosto de redes sociais, mas sempre tive uma relação estreita com as mesmas. Nunca fui de publicar fotos ou vídeos de cada segundo da minha vida, da minha rotina. Poderia-se dizer que é por conta da minha geração, que cresceu sem as facilidades do mundo virtual, mas inúmeros colegas da mesma faixa etária passaram a ser "influencers", publicando até o que faziam em intimidade.

  Em algumas conversas ouvi dizerem que o que ninguém vê, ninguém inveja e o que ninguém sabe, ninguém prejudica. Gosto de ser tratada como um ser especial na vida de alguém, gosto das fotos publicadas com textos bonitos e surpresas. Mas, hoje, dou mais valor a ser amada com sinceridade e simplicidade. Com olhar de olhos nos olhos; com palavras sinceras e verdadeiras e não somente para fazer bonito; com silêncios que não doam. Hoje sei que não adianta alguém tecer elogios a mim para todos e, quando está sozinho comigo, mal olhar para mim, mal me ouvir, mal me acariciar, mal me notar. Hoje, eu não tiro a importância de ganhar um elogio ou homenagem em público e, como toda mulher, gosto. Mas, hoje, eu também valorizo os pequenos e grandes gestos dos bastidores, dos dias normais... valorizo as pequenas grandes perguntas que fazem toda a diferença e as pequenas grandes ações que salvam uma convivência.

 Semana passada eu lavei as roupas que meu filho usou durante mais uma semana especial nossa. No varal, pendurei roupas do Batman, do Homem Aranha, do Super Homem e fantasias de monstrinhos e dinossauro. Enquanto fazia o serviço doméstico, agradecia por hoje, poder viver com meu filho algo que eu tanto sonhei e não conseguia realizar enquanto convivia com o pai dele. Soa estranho falar mas, na verdade, o pai dele sempre esteve mais para um irmão mais velho, do que para um pai. Hoje e por todo o resto da minha vida, não aceito e não aceitarei que a beleza dos meus dias e dos dias do meu filhos sejam menosprezadas. Nem que me mandem parar de cantar com meu filho, pois o "barulho" incomoda; nem que me digam que o que eu ou meu filho fizemos e que achamos tão legal, não tem importância; nem que digam que eu mereço coisas ruins pois não sou suficiente... não aceito alguém que pense que pode, simplesmente, apagar toda a minha história por não ter importância para ele... não aceito alguém que não me respeite nem admire pois, com certeza, só escolherei e ficarei com quem eu admirar e respeitar. E respeito também se demonstra em pequenas atitudes. Eu vi esse vídeo no Instagram e me doeu pensar que o que aquela mulher viveu, na verdade, nunca foi um casamento. E dói perceber, também, que a maioria das pessoas, na verdade, não sabe. E não é isso que quero para mim. 

 Sim, eu penso em algum dia, dividir a vida com alguém novamente... mas, obviamente, não com qualquer pessoa. A "DR" descrita no começo do texto continuou e o cara perguntou o porquê de eu dizer que nunca moraria com ele. Sem me deixar falar, ele fez uma sequência de perguntas e não pude conter uma cara de tédio. Quando viu que suas indagações não estavam funcionando, ele socou a parede. Na mesma hora, peguei minha mochila, levantei, o xinguei e fui embora. Dias depois, em uma conversa com uma amiga, ela disse que, na verdade, eu estava deixando os meus traumas e gatilhos falaram mais alto. Eu fechei a cara e respondi que, justamente por ter vivido tais traumas e gatilhos, é que eu não aceito mais certas situações e comportamentos. "O escroto que soca a parede e taca uma panela no chão quando estamos discutindo, claramente está treinando pra fazer o mesmo em mim!", disse à ela. Aquele otario me perguntava o porquê de eu não dar o endereço da minha casa à ele. "Não é qualquer um que pode saber onde eu moro.", eu respondia. Sei que vesti uma armadura pesada e, reconheço, tratei algumas pessoas com ignorância. Mas antes eu sair como doida, do que admitir na minha vida e na vida do meu filho, alguém que possa estragar tudo que eu lutei tanto para conseguir. Aqui, gente sem caráter não se cria. Não mais!

 Para adentrar a minha vida, o "merecedor" terá que entender que eu não sou a mulher mais bonita do mundo, nem a mais inteligente, nem a mais gostosa, nem a que transa melhor... Terá que ter a decência de entender que passei por situações horríveis que me deixaram marcas e não fique, constantemente, tocando em minhas feridas. 

 Um dia, quero saber como é ser amada... Mas quero ser amada com sinceridade e fidelidade. Quero um amor de verdade...um amor alegre... não somente um amor para fotos, que se perderão ou serão apagadas na primeira discussão... 



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