segunda-feira, 3 de agosto de 2026

 "O inverno sempre foi rigoroso para você." Paul Gauguin para Van Gogh


  Há dias em que a alma pesa mais e, nesses últimos dias, minha alma acumulou kilos que ficaram difíceis de suportar. Ao abrir os olhos pela manhã, peço ajuda aos céus para que eu consiga atravessar mais um dia. 

 Meu filho me disse que no meio da palavra "Deus", está a palavra "Eu", então significa que Deus mora dentro de nós. A primeira vez que ele me disse isso fiquei sem palavras. Na segunda vez, perguntei se alguém falou aquilo pra ele e respondeu em negativa. Na terceira vez, perguntei onde ele ouviu aquilo e ele não soube responder. Fiquei impressionada com a reflexão dele, que só tem 6 anos. Seguindo sua linha de pensamento, eu sou a única responsável por me dar forças para enfrentar a vida diária. Não sei até que ponto isso é suficiente.

 Hoje, por um momento, minha alma pesou um pouco mais. Foi bem num momento em que olhei o céu por entre as copas das árvores e senti uma brisa bater em minha pele. Respirei fundo e me lembrei das tardes em que senti a mesma sensação, porém com tons em cores um pouco mais vívidas. Na tarde de hoje os tons eram cinzas. Sentei -me aos pés da árvore que fica em frente de onde, hoje, é minha morada e onde sempre dorme a cachorrinha que me escolheu como amiga. Fiquei bons minutos parada, olhando o céu, as árvores e vendo a vida acontecer: crianças brincando na praça, adultos bebendo cerveja, meus vizinhos rindo com os amigos. Senti o vento, baixei a cabeça e meus olhos, involuntariamente, marejaram. 

 Marejar. Se encher de água salgada. Mar. 

 Tem sido um inverno rigoroso para mim também...



quinta-feira, 30 de julho de 2026

 Refletia, esses dias, sobre mentiras. Mentiras, para mim, sempre foram sinal de alerta em alguém. Todos os seres humanos mentem, mas mentir por algo desnecessário, uma mentira ridícula ou mentir somente e sabendo que irá ferir alguém, cruza a linha do desvio de caráter. 

 Eu refleti sobre as minhas próprias mentiras. Nesses últimos capítulos da minha vida, menti. Cerca de duas ou três pessoas souberam detalhes do que me aconteceu no último ano. Mas essas pessoas não sabem de tudo... E eu menti. Menti com as minhas gargalhadas altas quando, na verdade, meu desejo era chorar com o fôlego de um recém nascido. Menti todas as vezes em que disse "está tudo bem", "eu entendo", "eu não ligo", "eu não me importo", "deixa pra lá".

 Me peguei pensando que eu, que condeno tanto mentiras inúteis, sinto o gosto da hipocrisia. Creio que sempre fui uma mentirosa. Na infância, eu mentia dizendo que as manchas na calcinha eram porque estava de saia enquanto brincava com as plantas. Na pré adolescência, mentia dizendo que queria tomar banho de chuva quando, na verdade, queria me molhar até ficar doente. Na adolescência, mentia dizendo que só havia bebido muito, quando na verdade, havia encontrado alguns comprimidos com validade ultrapassada. Na fase adulta, no que era pra ser um casamento, aprimorei minha arte de mentir. Mentia dizendo que havia dormido bem, quando na verdade dormi ao relento. Mentia dizendo que não estava com fome quando, na verdade, estava poupando comida pois não sabia quando ia conseguir comprar de novo. Depois, separada, menti várias vezes, principalmente para o meu filho. Mentia dizendo que faríamos um passeio, quando na verdade estava traçando rotas e procurando um lugar que pudéssemos morar. Mentia dizendo à ele que estava tudo bem, quando na verdade eu estava dilacerada por ele ter contado coisas cruéis. Era costume mentir dizendo que havia dormido um pouco, quando na verdade não havia dormido nada.  Mentia dizendo que havia comido, quando na verdade eu não senti vontade de comer e a comida me dava até ânsia. Acho que uma das poucas verdades é o fato de eu não me arrepender de ter ido embora. Mas, por vezes, fico pensando que, talvez, teria sido melhor eu ter partido naquele fatídico dia. A vida de algumas pessoas seria mais simples e menos confusa se eu não estivesse aqui. 

 Uma vez me disseram que eu tenho o dom de fazer as pessoas deixarem de gostar de mim. Amarga verdade que eu engoli, a alguns meses atrás. Eu tenho uma colega que diz que tem muito orgulho de mim e da minha trajetória. Acho que ela deixará de gostar de mim quando eu for ao mar.




quarta-feira, 29 de julho de 2026

  Hoje, à caminho da escola, eu e meu filho nos deparamos com dois gatos em nossa caminhada. Como não era de se esperar que fosse diferente, paramos para acariar e conversar com os bichanos. Meu filho, assim como sempre, pediu para adotar o gatinho. Eu disse que mais pra frente a gente adota um gatinho e que o tio Lucas já deve ter um gatinho separado para o Minato em sua casa. Esse "mais pra frente" se tornou a minha versão do "na volta a gente compra". 

 Gatos sempre me chamaram a atenção, o interesse e a curiosidade. Admiro a forma que eles vivem a vida e, certa vez, escutei um episódio de um podcast que falava exatamente sobre isso. Já li muitos livros que falam sobre coisas que podemos aprender com os gatos e etc. Há um comentário em meio aos protetores de animais que diz que as mulheres são inteligentes e misteriosas como os gatos e os homens tapados e previsíveis como os cachorros. Não concordo 100% com essa afirmação. Já vi muitos homens enigmáticos e muitas mulheres carentes e tapadas. Engraçado que a maioria dos livros que li sobre o assunto, deságua naquela balela do amor próprio. Amor próprio virou a nova "autoajuda" que eu sempre menosprezei. Não, não estou dizendo que você não deva se amar acima de tudo, muito pelo contrário. Nós temos que ser mais importantes. Não podemos aceitar qualquer coisa nem algo que nos fere os princípios. Não podemos nos humilhar pedindo algo que deveria ser oferecido sem cerimônia. Mas, ao pregar e enfiar esse assunto de amor próprio garganta abaixo dos seres humanos, sem notar, estão criando robôs. Aqueles que não tem capacidade para entender a essência do assunto, distorcem - no. Estão fazendo com que as pessoas se tranquem e deixem de viver algo que valeria a pena viver. Estão fazendo as pessoas acreditarem que as pessoas são substituíveis e não, não são. O mundo tem bilhões de pessoas, mas uma nunca é igual a outra. Às vezes se perde a chance de viver algo legal, simplesmente por um detalhe ou outro da pessoa que desagrada... e daí simplesmente busca uma "pessoa melhor" depois.  Compararam as pessoas a gatos, mas se esqueceram que nós, humanos, não somos felinos. Precisamos da nossa individualidade, mas também precisamos conviver em sociedade. Eu conversava com uma amiga sobre isso outro dia... Ela está numa fase em que sente muito sozinha e eu a inspirei a, como eu, fazer coisas sozinha mesmo! A gostar da própria companhia, gostar de passar tempo consigo mesma. Ela disse que precisa aprender comigo essa arte da solitude. Dei um sorriso de canto de boca. A solitude do amor próprio te faz entender que você não precisa de ninguém para ser feliz e, na verdade, é errado depositar sua felicidade em outra pessoa. Mas também não te livra dos pormenores da solidão. Sim, eu me amo e me coloco acima de tudo e tenho princípios que são inegociáveis. Sim, se não tem ninguém pra me ajudar, vou ter que dar um jeito de resolver tudo sozinha mesmo. E tudo bem. Isso é ser um adulto funcional. Sim, quando algo acaba, fico sentida, mas minha vida não pode parar por conta de cada fim. Não, eu não quero ninguém pra me salvar, afinal de contas, isso é muito raro de acontecer.

 Mas sim, eu também queria ser especial pra alguém. Queria que alguém gostasse de mim apesar dos meus problemas e questões. Queria ter um abraço pra repousar quando meu mundo pesasse... assim como minha alma pesa por esses dias. Mas, como me disseram uma vez, pessoas como eu ficarão sozinhas. E eu tenho que me acostumar. Talvez esteja na hora de eu ser vilã, não me importar com os sentimentos dos outros e me fechar. Usar a balela do amor próprio como desculpa para encobrir uma vontade de sentir que contrasta com o medo de mostrar. 

 Morrerei sozinha, assim como todo mundo. Talvez eu realmente não cause atração nem cative ninguém. Eu sei. Dane-se, eu não ligo! Eu sou muito melhor que esses projetos de homem que não sabem tratar bem uma mulher! (Barreira do amor próprio equipada com sucesso) 




terça-feira, 28 de julho de 2026

  "Palavras são importantes também. Elas podem salvar ou afundar alguém." 

 Foi isso que eu disse em uma conversa recente, como que em uma afirmação inconsciente para mim mesma. As palavras, o ato de falar é importante. Deixar o outro saber pode o salvar. Todos os dias olho no espelho e me encho de palavras bonitas, de ânimo, de força e exaltação. Eu digo a mim mesma as palavras que nunca escutei da boca de ninguém. Nós humanos, porém, somos seres inconstantes. Vivemos a vida no dia e um maremoto de sensações num fim de tarde pode derrubar toda a afirmação positiva feita pela manhã. Lembrei de um amigo que foi muito especial na minha adolescência, cujas palavras poderiam tê-lo salvo. Ele se afundou na represa, achando que não era especial, que não era amado. Não sabia, ele, que a menina que ele tanto gostava, gostava dele da mesma forma. Dias depois do enterro, ela disse que se arrependia de não ter dito à ele o que realmente sentia. Eu nunca li a carta de suicídio dele mas, pelo tom das conversas, acredito que ele citava o sentimento que nutria à ela na carta. 

 No primeiro mês do ano eu escrevi uma carta. Lembrei-me dessa e todas as outras cartas que escrevi quando assisti, recentemente, um filme libanês que queria muito ver a algum tempo. Nessa minha carta, eu abri o coração no que eu achava que seria a última vez. Senti meu peito aliviar quando escrevi e as águas salgadas escorrerem quando terminei. Eu dediquei a poucas pessoas, até porque, meu círculo social que já era pequeno, ficou minúsculo depois de tudo que aconteceu. Na carta, haviam três pessoas em específico que eu deixei claro que gostaria que recebessem o papel. Sorri por um segundo, pois me senti como a protagonista de Os treze porquês, mas sem um amigo para fazer o trabalho póstumo. Ao pensar em amigo, meu sorriso se desfez. 

 Comentei com meu filho que, desde criança, a mamãe tinha mania de escrever cartinhas e não enviar. Ele riu com aquele riso inocente de criança, que não compreende ainda as entrelinhas da vida. Falei pra ele que, uma vez, a mamãe ia falar sobre uma dessas cartas para alguém, mas daí mudou de ideia. E realmente, eu mudei de ideia. Tenho mudado muito de ideia nos últimos tempos. Pra que falar algo assim? Pra que falar se, no fim das contas, minha existência não faz diferença para tal?

 Falar é importante. Mas é mais importante ainda saber quando falar. Às vezes tudo que uma pessoa precisa para ser salva é que você olhe nos olhos dela e fale... Novamente, isso pode construir ou destruir alguém. De todas as vezes em que me falaram, a porcentagem maior foi em momentos errados... palavras erradas... ações erradas. Das vezes em que me falaram, em quase todas eu quebrei. Eu enxergo as ações, eu enxergo os cuidados , eu enxergo os fatos, eu enxergo os esforços de quem me quer bem. Mas ouvir as palavras verdadeiras no momento certo, ao menos de vez em quando, seria bom.. 

 Me sinto como meu amigo... Tarde demais para você falar.




segunda-feira, 27 de julho de 2026

    A primeira vez que eu vi o mar foi na fase adulta, eu tinha 22 anos e só consegui molhar os pés. Antes disso, eu me perguntava qual seria o cheiro da praia, como seria a sensação de areia nos pés, qual seria a sensação de entrar no mar. Engraçado, mesmo nunca tendo entrado no mar, eu não tinha medo. Diferentemente das piscinas, por exemplo, as quais eu mantinha receio. 

 Depois de conhecer a praia, voltei algumas poucas vezes, e sempre é algo inexplicável... quase uma sensação de pertencimento. 

 Certa vez, em uma conversa específica, disse que gostaria de me sentar na beira da areia cantando e ouvindo as histórias de marinheiros, e então fiz um gesto e disse que entregava meu coração ao mar. Será, então, que o mar me acolherá? 




domingo, 26 de julho de 2026

  Uns dias atrás refletia com uma colega de freela sobre quebras e responsabilidade afetiva. Eu dizia a ela que essa responsabilidade é primordial em situações em que realmente existe vínculo, como nas relações familiares, por exemplo. Ela defendia que vai mais além, que todos somos responsáveis pelos laços que criamos e temos que cuidar como tal. Brinquei com ela que, provavelmente, ela se inspirou no livro de Antoine ao dizer isso. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Ela disse que, a partir do momento que você demonstra para alguém que se importa com essa pessoa, você deve ter responsabilidade afetiva com ela. "Mas a vida acontece, a gente passa por tantas coisas no dia a dia, a vida adulta é tão corrida e conturbada... Às vezes não dá nem pra parar e notar as pessoas, mesmo as que a gente tem apreço." , eu disse. "Não tô falando de mandar mensagem todo dia, toda hora! Tô falando de se importar. De observar, de lembrar da pessoa, do que a faz feliz, do que a faz triste, lembrar de alguma coisa e comentar, fazer um carinho na alma dela!", ela me respondeu. Depois de algum tempo de conversa, ela desabafou que, quando ela estudava, tinha um amigo que todos amavam, que estava sempre sorrindo, mas que ninguém sabia muita coisa sobre a vida na casa dele. Ela disse que ele cometeu suicídio e, só depois disso, os colegas souberam sobre as surras, sobre o alcoolismo do pai, sobre a paixão platônica na escola, sobre a vontade de ser chamado para jogar ps1 na casa dos colegas... Baixei os olhos e ficamos em silêncio. Não havia nada a dizer. Me peguei pensando em que momento a onda da vida dele se quebrou. Qual foi o momento, a ação, o estopim que o fez quebrar.

 Passei o resto da manhã pensando em cada palavra desse diálogo. Se importar. Notar. Ter tato. Zelar. Lembrar... Ter cuidado para não ser você a quebrar alguém, como as ondas que quebram antes de chegar na areia.




sábado, 25 de julho de 2026

 Outro dia tive uma conversa sobre arrependimentos e partidas, e foi uma daquelas conversas em que você não interage o bastante, simplesmente porque a "química" da conversa não bate. Aquelas conversas em que você ouve por educação. Mas essa conversa me rendeu reflexões, depois, com o silêncio da minha alma. Me peguei pensando que, na verdade, eu sou sempre aquela que outros conversam e ouvem por educação. E tudo bem, ninguém é obrigado a gostar da companhia ou não. A mágica da amizade ou do coleguismo simplesmente acontece. Eu comentei com essa pessoa que me arrependia de uma coisa em específico... mas, ao chegar em casa, mudei de ideia. Não, não me arrependo não. Ao menos não da coisa que citei. Ao menos não terei o peso do "e se", no momento em que eu partir. Mas sim, carregarei muitos outros pesos de outros arrependimentos, talvez até alguns que não fui eu a me incumbir. A sonata nunca tocada, a oportunidade nunca agarrada, a batalha nunca ganha, a carta nunca enviada... Tenho sentido minha alma pesada e, pensar nesses arrependimentos, acrescentou alguns kilos de dores de coisas que jamais serei, sonhos que não realizarei e desejos cujo alcance, não merecerei. Eu estou cansada...minha alma pesa...e eu queria poder desistir. 



quinta-feira, 23 de julho de 2026

 Eu sempre disse que existem pessoas que vem à Terra somente para fazer peso. Esse é o caso dos narcisistas, por exemplo. Eles são especialistas em tocar nas suas feridas mais doloridas, pois sabem exatamente onde ficam e quais são. O narcisista que conheci dizia que era o único que me aguentava, dizia que homem gosta de mulher de verdade, não de baixinha, gorda e feia como eu, dizia que eu afastava as pessoas e causava até repulsa nelas. 
 O grande problema é que eles te estudam (ou acham que estudam) e sabem o que vai te ferir. Eles observam as situações para te fazer crer no que eles dizem. A questão é quando eles tem certa razão...
 Uma vez, em um aniversário, eu ia pedir um beijo de presente para alguém. Passou a data e eu fiquei sem jeito de pedir...eu, que alguns chamam de corajosa, fiquei com medo do não. Dias depois, ficou claro que seria uma negativa. Depois me falaram que ele disse que me achava cheia de frescura e eu pensei em como alguém pode chegar a essa conclusão sobre outro, apenas com base na suposição. E então fez sentido o que meu ex dizia... acho que causei repulsa nele...
 Assim também, acho que crio a repulsa de colegas e amigos...por um tempo tudo é feliz, logo, tudo some. Não é culpa de ninguém, é culpa minha. Não tem problema... eu, que durante tanto tempo tive medo de não fazer diferença pra nada, tive que aprender a ser só. Tudo bem. Mas acho que esse é um daqueles "tudo bem" que se diz com sensação de anestesia. O que se há de fazer? Tem pessoas que são assim mesmo, estragadas, como eu.
 Daí, outro dia, abri um diário antigo e tinha uma daquelas listas que adolescente faz com "coisas a serem conquistadas no ano seguinte". Entre os tópicos da lista, estava lá "tocar o coração de alguém". Suspirei e baixei os olhos... Mais um tópico para a lista de fracassos. 



quarta-feira, 22 de julho de 2026

 Queria poder me deitar assim como fez a raposa daquela linda e tocante história infantil. Quem sabe, acordar na beira de um lago, onde poderia, talvez, encontrar aquela e aqueles que tanto me fazem falta. Quem sabe, teria um encontro com os seres de luz, que tantas pessoas que tiveram eqm dizem ver, e ter uma conversa sobre o porquê das coisas terem sido como foram. Quem sabe, acordaria num vale repleto de seres mágicos que me olhariam sem julgamentos, onde eu poderia, assim como entreguei meu coração ao mar, entregar-me num salto, às asas de milhares de borboletas. Invejo os seres que tem asas e podem simplesmente voar para longe. Queria saber voar. Queria poder saber sobre os mistérios e segredos escondidos que poderiam tornar minha existência um pouco diferente.




terça-feira, 21 de julho de 2026

 "Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira?"

Fiódor Dostoiévski



quarta-feira, 31 de julho de 2024

Carta para o regresso

 É tão estranho voltar para um lugar de onde se afastou por tanto tempo, depois de tantas histórias, de tantas mudanças... 
 A escrita e a música sempre foram lugares de refúgio na minha vida, onde me escondia nos momentos em que me faltava voz. Lembro de deixar escorrer lágrimas nos livros quando era criança e na madeira do violino na adolescência. Agora, passados oito anos de uma cortina de fumaça que ardia os olhos, volto para o meu esconderijo... curada, talvez? Tenho minhas dúvidas de se algum dia conquistarei a minha cura...
 Retornar me fez ter a certeza de algumas dúvidas sempre presentes para mim... sinto que, realmente, as letras me são mais familiares do que as entonações. Eu gostaria muito de ter o dom da oratória, mas me parece que fui mais agraciada com o da escrita. E olha, que irônico: logo eu, uma professora...
 Espero conseguir seguir por um tempo nesse ciclo...e espero que dure ao menos um terço do tempo em que fiquei distante. Mas, dadas as atuais circunstâncias, não prometo e não garanto que eu volte amanhã...



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

 Achei esse texto, de alguns anos, nos arquivos de postagens que escrevi e nunca publiquei. Assim como seres viventes, palavras nascem e morrem todos os dias. Talvez tenha chego a hora de desenterrar essas palavras esquecidas no arquivo de um blog que ninguém mais lê. 


Eu sempre passei despercebida, por ser uma menina muito calada, e isso sempre me afetou...pensava no por que de não ser como outras pessoas. A um tempo atrás, uma pessoa especial me disse para não medir minha vida com a régua dos outros e assim venho fazendo... enfim. Mas olha, eu, dificilmente, passava despercebida aos professores porque minha notas sempre foram altas. Assim foi até que eu mesma me tornasse uma professora. Porém, em um momento difícil da minha vida, um professor mexeu comigo. Tive alguns professores especiais, os quais lembro e foram essenciais para que eu tornasse o que sou, mas esse professor em especial me desafiou. Ele me tratava de uma forma que eu, que nunca soube e entendi muita coisa, achava que era desprezo, menosprezo e até humilhação. Como ele podia me tratar assim? Eu, que sempre fui uma ótima aluna, ninguém nunca tinha nada a se queixar de mim? Eu estava num momento difícil na vida. Eu estava perdida e não sabia o que fazer. Eu queria o colo da minha mãe a todo custo, mas eu não podia ter. Nunca fui considerada uma pessoa ruim, como ele tinha a audácia de agir comigo daquele jeito? Das minhas poucas conversas com ele saiam faíscas. Os olhares eram de 'rabo de olho'. Até que, certo dia, eu desmoronei. Não conseguia fazer a atividade que ele pediu. Eu estava numa fase difícil e, todos os meus sentimentos, bons e ruins, escorreram pelos meus olhos. Ele foi o único que veio até mim. Eu poucas palavras, ele deu sentido à tantas coisas, explicou o porquê de tantas coisas... Hoje, eu carrego a lição tão preciosa que esse grande mestre me ensinou: Mesmo que o brilho dos meus olhos se perca, não posso jamais deixar que o brilho dos meus alunos tenha o mesmo destino, mesmo que, para isso, eu nunca leve créditos.



sábado, 19 de março de 2016

 Às vezes você pode me achar sem palavras, pensar que não quero falar porque me acho superior... Mas eu simplesmente não quero te falar que riram de mim porque não sei fazer algo ou porque fiz errado; não quero te falar que tentei de todos os jeitos não fracassar mas não adiantou; não quero te falar que por mais que eu tente, não saio do lugar. Às vezes eu não quero te falar dos meus sonhos gigantescos e de como eles foram aos poucos diminuindo até virarem pó. Não quero te falar que, por mais que você pense que eu sou uma heroína, não passo de uma simples 'lavadeira'. Por vezes eu não quero que você saiba que perco horas dos meus dias e noites refletindo se realmente o que faço vale a pena, se caso eu parta abruptamente, farei alguma falta...

quarta-feira, 2 de março de 2016

Desafio literário Livrada 2016

A minha amiga Anna Karina, do blog Sinto, logo existo me convidou a fazer o Desafio literário Livrada 2016, então aí vai:

1- Um prêmio Nobel - O jogo das contas de vidro de Herman Hesse (eu li que esse livro ganhou Nobel, então...)
2- Um livro russo - O jogador ou Uma criatura dócil de Dostoiévski ( livro russo não é problema pra mim ^^ )
3- Um cânone da literatura ocidental - Dom Quixote de Miguel de Cervantes
4- Uma novela - A hora da estrela de Clarice Lispector
5- Um livro que você não sabe por que tem - Requiem para o navegador solitário de Luis Cardoso
6- Um autor do seu estado - As meninas ou Meus contos esquecidos de Lygia Fagundes Telles
7- Um livro publicado por uma editora independente - O vento fede de luz de Abreu Paxe
8- Uma ficção histórica - Viagem ao centro da Terra, Vinte mil léguas submarinas ou Cinco semanas em um balão de Júlio Verne ( aquele que der tempo de ler até o fim do ano rsrs)
9- Um livro maluco - O perseguidor de Julio Cortázar (me disseram que é maluco como o Jazz =D )
10- Um livro que todo mundo já leu menos você - O mundo de Sofia de Jostein Gaarder
11- Um autor elogiado por um escritor de quem você gosta - O macaco ornamental de Luis Henrique Pellanda - elogiado por Moacyr Scliar ( S2 )
12- Um livro bobo - Lar doce lar de Christine Tagg ( só porque adoro livros pop up) ou Casa das estrelas de Javier Naranjo ( me disseram que é bobo porque é infantil, mas a beleza com que as crianças interpretam algumas coisas me fez pensar que esse livro deve valer a pena...)
13- Um romance de formação - O apanhador no campo de centeio de J.D. Salinger
14- Um livro esgotado - Alucinações musicais de Oliver Sacks (não acho em canto nenhum pra comprar... )
15- As aventuras do bom soldado Svejk - Vou ler Formas de voltar para casa de Alejandro Zambra, não porque me considero café com leite, mas porque realmente estou sem tempo pra ler um livro de 688 páginas! 

Aqui, o vídeo do canal Livrada, onde quem quiser pode ver o que é desafio: 

https://www.youtube.com/watch?v=hen_pESdEf4

domingo, 20 de setembro de 2015

Anneliese Michel

 Anneliese Michel, cuja história foi contada no filme O exorcismo de Emily Rose, começou a sofrer com problemas psiquiátricos aos 16 anos de idade, alegando estar possuída por uma legião de demônios. O vlog Acervo Maldito disponibilizou um vídeo interessante com o trecho de um áudio original do exorcismo, onde Anneliese diz coisas intrigantes... Eu, particularmente, acredito que ela não estava possuída e não presisava de exorcismo, e sim ser tratada corretamente de sua esquizofrenia. Mas cabe a cada um tirar sua própria opnião. 



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

 Uma mariposa branca entrou na cozinha e voou para escapar do gato. Admirei-a por sua beleza rara e por escapar tão facilmente do felino. Senti uma inveja extrema, assim como invejo a maioria dos seres que possuem asas e podem ir para onde quiserem. 
 Diz uma lenda que quando uma mariposa branca adentra sua residência, traz consigo sorte ao morador...será que aquela mariposa me emprestará as suas asas?


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

 Eu estava de olhos fechados, sentada no banco de um transporte público, quando uma risada alta de criança me fez despertar. O lugar não estava cheio, mas haviam algumas pessoas de pé. A criança fazia graça com tudo o que via, até que parou e olhou fixamente para algum lugar. Reparei um rapaz sorridente porém com as costas curvadas, como se carregasse um peso suportável porém difícil... ele tinha na mão um saco de pipoca, aparentemente o objeto de desejo da criança. O rapaz então colocou uma pipoca na boca e se dirigiu à criança, perguntando para a mãe da mesma se poderia entregar o saco de pipoca. Mal a mãe respondeu que sim, a criança começou a comer as pipocas com a maior vontade que já vi! O rapaz se afastou ainda sorridente, baixando a cabeça. Conforme ele se afastava, o sorriso se desfazia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015


Hotaru no Haka é um dos filmes mais tocantes que já assisti. Um filme que faz refletir sobre injustiça, sobre perda, sobre esperança e também sobre escolhas... Esse tal "direito de escolha" que está presente em quase tudo. E é esse "direito de escolha" que faz crescer dentro de nós a esperança. Li algo interessante sobre esperança em algum lugar, era mais ou menos como: "A esperança é a pior coisa que alguém pode ter." . De certa forma concordo, porque enquanto se tem esperança, você não consegue ter um final. 
Acho que foi o meu direito de escolha que me fez ter esperança em algumas coisas e uma aflição na alma para outras. Tento fingir que não ligo, mas todos sabem, quem tem esperança sempre liga...Mas acho que o pior de tudo é ver que, se eu tivesse escolhido seguir 'L' ao invés de 'R', meu destino seria parecido com o de Setsuko... e isso faz a esperança quase me matar... 


domingo, 9 de agosto de 2015

 Por várias vezes eu relembrei o passado, tentando encontrar uma explicação para tudo que aconteceu. Não encontrei. Talvez, como um daqueles segredos que são levados ao túmulo, ou aquelas verdades que permanecem ocultas, você estava apenas tentando evitar ainda mais dor e mais confusão. Relembro os fatos e vejo que você não foi de tudo mau, porém também não foi bom. Às vezes evito algumas pessoas e acabo, mesmo que contra a minha vontade consciente, ignorando outras porque elas me lembram você. Tive muitas dificuldades por sua causa e algumas delas ainda não consegui superar. Houve medo, tristeza e mágoa e não sei de certo se esses sentimentos foram embora. 
 É estranho como o universo age... eu não queria crescer, sempre foi meu medo desde a infância. Eu não queria nada daquilo, mas em meio à toda a dor, a raiva, a tristeza, a mágoa e a amargura que você pareceu mastigar e engolir, fui obrigada a crescer. Eu, em parte, compreendo o porque de algumas coisas e te perdôo, peço à Deus cuidar de você... porém não te quero por perto. Sinto muito.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

E agora?

Bom, faz uns 500 que não venho aqui, no começo foi por falta de tempo, depois por falta de vontade. Ás vezes tenho vontade de deletar esse blog, outras penso em deixa-lo ativo, mas sem mais atualizações, somente um ponto de parada para leituras do passado mesmo...acho que a questão é essa: tenho esse blog a bastante tempo, e nesse tempo eu mudei muito. Mudei a forma como vejo a polítca, mudei a forma como vejo as pessoas, mudei a forma como ajo com muita coisa. Para mim essas mudanças foram ótimas! Já para outros que foram afetados diretamente com minhas mudanças, não. Alguns dizem que eu perdi algo de bom que e tinha, outros dizem que eu fiquei muito forte. Sinceramente eu não ligo nem pra uma opnião nem para outra. Eu não sou mais aquela sonhadora nata e também não sou mais aquela que colocava tudo em primeiro lugar e eu mesma por último. A vida exigiu que eu mudasse e eu aceitei de bom grado. E aí volta a questão do blog: continuo com ele, porém com um novo rumo, ou arquivo? 
Bem, enquanto a minha indecisão trabalha, seguirei por enquanto com o meu blog "comercial" , onde postarei dicas para gateiros, produtos, idéias, achados e por aí vai... Segue o link:  gatarias

Inté... o/



 
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sábado, 16 de maio de 2015

Desculpe

Desculpe, eu não queria ser assim. Sinto muito por não ser da forma que você queria que eu fosse. Desculpe por toda a dor que eu causei. Desculpe ter te decepcionado tanto, mas assim estou agora...talvez sempre fui... o projeto que sempre dá errado, aquele que é sempre pela metade.



quinta-feira, 14 de maio de 2015

“Eu soube que ela foi chamada de covarde por ir embora, uma errante sem propósito, mas nem todo errante é sem propósitos, especialmente aquele que busca a verdade além da tradição, além da definição, além da imagem...”


terça-feira, 12 de maio de 2015

O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.

Toda a amargura retardada da minha vida despe, aos meus olhos sem sensação, o traje de alegria natural de que usa nos acasos prolongados de todos os dias. Verifico que, tantas vezes alegre tantas vezes contente, estou sempre triste. E o que em mim verifica isto está por detrás de mim, como que se debruça sobre o meu encostado à janela, e, por sobre os meus ombros, ou até a minha cabeça, fita, com olhos mais íntimos que os meus, a chuva lenta, um pouco ondulada já, que filigrana de movimento o ar pardo e mau.

Abandonar todos os deveres, ainda os que nos não exigem, repudiar todos os lares, ainda os que não foram nossos, viver do impreciso e do vestígio, entre grandes púrpuras de loucura, e rendas falsas de majestades sonhadas... Ser qualquer coisa que não sinta o pesar de chuva externa, nem a mágoa da vacuidade íntima... Errar sem alma nem pensamento, sensação sem si-mesma, por estrada contornando montanhas, por vales sumidos entre encostas íngremes, longínquo, imerso e fatal... Perder-se entre paisagens como quadros. Não-ser a longe e cores...

Um sopro leve de vento, que por detrás da janela não sinto, rasga em desnivelamentos aéreos a queda retilínea da chuva. Clareia qualquer parte do céu que não vejo. Noto-o porque, por detrás dos vidros meio-limpos da janela fronteira, já vejo vagamente o calendário na parede, lá dentro, que até agora não via.

Esqueço. Não vejo, sem pensar.

Cessa a chuva, e dela fica, um momento, uma poalha de diamantes mínimos, como se, no alto, qualquer coisa como uma grande toalha se sacudisse azulmente aberta dessas migalhinhas. Sente-se que parte do céu está já azul. Vê-se, através da janela fronteira, o calendário mais nitidamente. Tem uma cara de mulher, e o resto é fácil porque o reconheço, e a pasta dentífrica é a mais conhecida de todas.

Mas em que pensava eu antes de me perder a ver? Não sei. Vontade? Esforço? Vida? Com um grande avanço de luz sente-se que o céu é já quase todo azul. Mas não há sossego — ah, nem o haverá nunca! — no fundo do meu coração, poço velho ao fim da quinta vendida, memória de infância fechada a pó no sótão da casa alheia. Não há sossego — e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter...

Fernando Pessoa



terça-feira, 14 de abril de 2015

“Como se retorna ao curso de uma antiga vida? Como seguir em frente quando no íntimo se começa a entender que não há volta? Há certas coisas que o tempo não pode curar algumas feridas são tão profundas que nos seguem para sempre!”




quinta-feira, 2 de abril de 2015

  Às vezes acho que não valho muita coisa, penso que estou passando direto pela vida, sem deixar rastros... Porém sempre tive em mente que devemos tentar repassar o melhor de nós, encantar, envolver,  para que a vida não seja tão ruim. Como professora, vejo oportunidade para essa 'missão'. 
  Sou professora a quase 10 anos e tive muitos alunos; alguns lembram de mim, muitos sei que não. Acho que a profissão de professor pode ser comparada a de músico, tanto no fato de as duas possuírem o "poder do encanto", como no fato de as duas serem profissões muitas vezes ingratas. Logo, um professor de música como eu, tem um combo de sentimentos todos os dias.
  Semana passada aconteceu algo que entrou para o meu livro de memórias. Eu estava à caminho do trabalho e avistei um ex aluno. Notei que ele estava mexendo as mãos, mas só percebi o que ele fazia quando chegou perto: Ele fingindo que tocava piano! Quando me viu ele correu e me abraçou tão forte que quase fiquei sem ar. Perguntei como estava na escola nova e ele disse que era chato porque não tinha aula de música. Depois de uma conversa breve, me despedi e ele disse: "Tia Lidia, até amanhã!" 
  Eu não estava muito bem naquele dia, mas aquele breve minuto iluminou meu dia...É, acho que eu não sou tão inútil afinal... Espero estar deixando algumas sementes do meio do caminho da minha vida. 
 

  "O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que se destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou."



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

“Quando eu morrer, o fio de prata de um colar de pérolas vai se arrebentar, e todas as pérolas, lisinhas e acetinadas, vão rolar pela terra e correr de volta para a casa delas, para suas mães-ostras lá no fundo do mar. Quem vai mergulhar e apanhar minhas pérolas depois que eu tiver ido embora? Quem vai saber que elas eram minhas? Quem vai adivinhar que antigamente, há muito tempo, o mundo inteiro pendia em torno do meu pescoço?”


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014



"Passeio pelas estantes da biblioteca. Os livros me dão as costas. Não para me rejeitar, como as pessoas: são convidativos, querendo apresentar- se a mim. Metros e mais metros de livros que nunca poderei ler. E sei: o que aqui se oferece é a vida, são complementos à minha própria vida que esperam ser postos em uso. Mas os dias passam rápido e deixam para trás as possibilidades. Um único desses livros talvez bastasse para mudar completamente a minha vida. Quem sou eu agora? Quem eu seria então?"


domingo, 16 de novembro de 2014

 Peguei uma cartela de um medicamento qualquer e tomei. Engoli a seco e alguns comprimidos entalaram na minha garganta. As lágrimas não paravam de cair e se misturaram com a saliva... Então cuspi o tanto que pude e voltei pra cama, com muito frio e dor...me cobri até a cabeça e molhei o travesseiro com a chuva dos meus olhos.
  Eu poderia ter feito força para engolir ao invés de cuspir, e tudo estaria acabado. Não pensei em ninguém, apenas no único que deita aos meus pés quando estou deprimida, que me pede colo quando estou triste e que me morde quando estou distraída...pensei no único que me abraça nesses dias nebulosos e que aguarda minha chegada mesmo na chuva, para se enroscar em minhas pernas, lembrando - me de que, independente do que aconteça, e por mais cruel que a vida possa ser, ela tem que continuar...