
As árvores da minha infância erguem-se altas no jardim.
Balançando as cabeças,perguntam:O que fizeram de ti?
Erguem-se em colunatas,como repreensões:Indigna és de andar entre nós!
És criança e deves saber tudo.Por que estás presa com os laços da doença?
Tornaste-te pessoa estranha e odiosa.
Quando eras criança,conversavas longamente conosco;
teu olhar era claro.
Agora queremos te dizer o segredo de tua vida:
a chave de todos os segredos encontra-se no jardim das framboesas.
Queremos te melindrar,dorminhoca,
queremos te despertar,menina morta,do teu sono.
Edith Södergran (Junho de 1922)
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