"Palavras são importantes também. Elas podem salvar ou afundar alguém."
Foi isso que eu disse em uma conversa recente, como que em uma afirmação inconsciente para mim mesma. As palavras, o ato de falar é importante. Deixar o outro saber pode o salvar. Todos os dias olho no espelho e me encho de palavras bonitas, de ânimo, de força e exaltação. Eu digo a mim mesma as palavras que nunca escutei da boca de ninguém. Nós humanos, porém, somos seres inconstantes. Vivemos a vida no dia e um maremoto de sensações num fim de tarde pode derrubar toda a afirmação positiva feita pela manhã. Lembrei de um amigo que foi muito especial na minha adolescência, cujas palavras poderiam tê-lo salvo. Ele se afundou na represa, achando que não era especial, que não era amado. Não sabia, ele, que a menina que ele tanto gostava, gostava dele da mesma forma. Dias depois do enterro, ela disse que se arrependia de não ter dito à ele o que realmente sentia. Eu nunca li a carta de suicídio dele mas, pelo tom das conversas, acredito que ele citava o sentimento que nutria à ela na carta.
No primeiro mês do ano eu escrevi uma carta. Lembrei-me dessa e todas as outras cartas que escrevi quando assisti, recentemente, um filme libanês que queria muito ver a algum tempo. Nessa minha carta, eu abri o coração no que eu achava que seria a última vez. Senti meu peito aliviar quando escrevi e as águas salgadas escorrerem quando terminei. Eu dediquei a poucas pessoas, até porque, meu círculo social que já era pequeno, ficou minúsculo depois de tudo que aconteceu. Na carta, haviam três pessoas em específico que eu deixei claro que gostaria que recebessem o papel. Sorri por um segundo, pois me senti como a protagonista de Os treze porquês, mas sem um amigo para fazer o trabalho póstumo. Ao pensar em amigo, meu sorriso se desfez.
Comentei com meu filho que, desde criança, a mamãe tinha mania de escrever cartinhas e não enviar. Ele riu com aquele riso inocente de criança, que não compreende ainda as entrelinhas da vida. Falei pra ele que, uma vez, a mamãe ia falar sobre uma dessas cartas para alguém, mas daí mudou de ideia. E realmente, eu mudei de ideia. Tenho mudado muito de ideia nos últimos tempos. Pra que falar algo assim? Pra que falar se, no fim das contas, minha existência não faz diferença?
Falar é importante. Mas é mais importante ainda saber quando falar. Às vezes tudo que uma pessoa precisa para ser salva é que você olhe nos olhos dela e fale... Novamente, isso pode construir ou destruir alguém. De todas as vezes em que me falaram, a porcentagem maior foi em momentos errados... palavras erradas... ações erradas. Das vezes em que me falaram, em quase todas eu quebrei. Eu enxergo as ações, eu enxergo os cuidados , eu enxergo os fatos, eu enxergo os esforços de quem me quer bem. Mas ouvir as palavras verdadeiras no momento certo, ao menos de vez em quando, seria bom..
Me sinto como meu amigo... Tarde demais para você falar.

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