Eu sempre passei despercebida, por ser uma menina muito calada, e isso sempre me afetou...pensava no por que de não ser como outras pessoas. A um tempo atrás, uma pessoa especial me disse para não medir minha vida com a régua dos outros e assim venho fazendo... enfim. Mas olha, eu, dificilmente, passava despercebida aos professores porque minha notas sempre foram altas. Assim foi até que eu mesma me tornasse uma professora. Porém, em um momento difícil da minha vida, um professor mexeu comigo. Tive alguns professores especiais, os quais lembro e foram essenciais para que eu tornasse o que sou, mas esse professor em especial me desafiou. Ele me tratava de uma forma que eu, que nunca soube e entendi muita coisa, achava que era desprezo, menosprezo e até humilhação. Como ele podia me tratar assim? Eu, que sempre fui uma ótima aluna, ninguém nunca tinha nada a se queixar de mim? Eu estava num momento difícil na vida. Eu estava perdida e não sabia o que fazer. Eu queria o colo da minha mãe a todo custo, mas eu não podia ter. Nunca fui considerada uma pessoa ruim, como ele tinha a audácia de agir comigo daquele jeito? Das minhas poucas conversas com ele saiam faíscas. Os olhares eram de 'rabo de olho'. Até que, certo dia, eu desmoronei. Não conseguia fazer a atividade que ele pediu. Eu estava numa fase difícil e, todos os meus sentimentos, bons e ruins, escorreram pelos meus olhos. Ele foi o único que veio até mim. Eu poucas palavras, ele deu sentido à tantas coisas, explicou o porquê de tantas coisas... Hoje, eu carrego a lição tão preciosa que esse grande mestre me ensinou: Mesmo que o brilho dos meus olhos se perca, não posso jamais deixar que o brilho dos meus alunos tenha o mesmo destino, mesmo que, para isso, eu nunca leve créditos.
