sábado, 8 de agosto de 2026

 Lilás é minha cor favorita. Não roxo, não violeta, não lavanda. Lilás. Lembro que, quando eu era criança, me perguntaram qual era a minha cor favorita e eu disse azul. Engraçado que eu, uma menina fofinha, nunca tive rosa como cor favorita. Depois, mas ainda na infância, assisti A cor púrpura e perguntei à minha mãe o que era púrpura. Ela disse que era uma cor. Dias depois pedi para a minha professora de artes me mostrar a cor púrpura e ela disse que aquela cor ela não tinha, mas iria me mostrar uma cor parecida. Ela fez uma mistura de tintas e o resultado foi uma cor que preencheu meus olhos infantis: Lilás. E o resto, você já sabe.

 Estamos no mês de Agosto e somente esse ano soube o que significa o Agosto Lilás. Nesse mês, muitas instituições fazem campanhas de conscientização contra a violência doméstica e eu tive a sorte de encontrar um lugar que está oferecendo aulas de defesa pessoal para mulheres. Eu sempre pensei em aprender, mas desde o ano passado essa ideia se tornou uma necessidade. Se eu soubesse como me defender antes, teria poupado muita coisa... Teria cortado o mal pela raiz no primeiro sinal de desrespeito. Mas a vida aconteceu como aconteceu. A minha psicóloga diz para eu parar de me culpar com coisas que não são culpa minha. É como aquela música: "fácil de falar, difícil fazer."

 No primeiro dia de aula eu não queria ir. Estava depressiva e já imaginava o tipo de relato que iria escutar, tendo em vista o cunho da propaganda. Me forcei a ir e venci a batalha comigo mesma, ao menos naquele dia. Porém, como eu já esperava, encontrei mulheres que, assim como eu, passaram por situações horríveis. Ao saber dessas histórias, involuntariamente, revisitei minha antiga vida. Eu quis chorar. Mas, ao invés de chorar, soquei e chutei. Tenho que treinar mais. Quem sabe, com o tempo, as minhas defesas e meus ataques tenham o mesmo peso que as minhas dores. 




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